Índios protestam em carta entregue a FHC na mostra do descobrimento
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de abril de 2000
Por Ana Weiss e Carlos Franco 
São Paulo, 23 (AE) - A Mostra do Redescobrimento - maior exposição de arte já realizada na América Latina - foi aberta oficialmente hoje pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Jorge Sampaio, de Portugal. Os dois presidentes chegaram às 20h30 e foram recebidos por Edemar Cid Ferreira, presidente da Associação Brasil 500 Anos de Artes Visuais, organizadora do evento.
Do lado de fora do Pavilhão Manoel da Nóbrega, o presidente recebeu uma cesta com presentes entregues por 48 índios xavantes e meinacus, que fizeram uma saudação e entregaram uma carta em que dizem, entre outras coisas, que "este é um ritual de passagem para transformar este lugar num País onde nosso povo possa continuar vivendo com sua identidade e patrimônio dentro de sua tradição".
A festa em nada lembrava o clima tenso de Porto Seguro. À porta, cem manobristas foram mobilizados para cuidar dos carros dos convidados. A cachaça singela com que os dois presidentes brindaram os 500 anos em Porto Seguro foi substituída por champanhe Met et Chandon, uísque Red Label e sucos de frutas tropicais, servidos por garçons que usavam cocares ou braçadeiras indígenas. Para os convidados, foram montadas mesas enormes com pratos típicos das várias regiões brasileiras - pãezinhos de queijo, acarajés e tacacás, entre outros - ou introduzidos na mesa brasileira pelos imigrantes.
Logo após a chegada dos dois presidentes e do governador Mário Covas, houve uma queima de fogos, todos nas cores da bandeira. Fernando Henrique, que permaneceu apenas 20 minutos na exposição, viu a carta de Pero Vaz de Caminha - a grande estrela da festa -, descerrou a placa e saiu sem dar entrevista, seguindo rapidamente para o aeroporto de Congonhas, onde embarcou para Brasília.
Orçada em R$ 40 milhões, a edição paulistana da mostra fica em cartaz até 7 de setembro, nos três pavilhões expositivos do lugar - o da Bienal (Ciccillo Matarazzo), o da Pinacoteca (Padre Manoel da Nóbrega) e a recém-reformada Oca (Lucas Nogueira Garcez), que hoje é equipada com o mais sofisticado sistema de refrigeração de espaços expositivos no País.
A versão de São Paulo será a mais completa, reunindo cerca de 7 mil obras de arte, compostas por sua vez, por cerca de 15 mil peças, divididas em módulos diferentes.


