Índios protestam contra mortes e falta de médicos
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
por Carlos Mendes 
Belém, 19 (AE) - A falta de médico na aldeia dos tembés, localizada no nordeste do Pará, teria provocado a morte de três índios acometidos de malária e catapora. Pintados para a guerra, 40 tembés, hoje em Belém, protestaram contra a "incompetência " da Fundação Nacional de Saúde (FNS). Ela assumiu há dois meses o trabalho de cuidar da saúde de cinco mil índios de quatro regiões do Estado. A tarefa vinha sendo desempenhada pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
Segundo o cacique Sérgio Muti Tembé, se o trabalho antes realizado pela Funai já era ruim, com a FNS "ficou muito pior". Ele disse que nenhum médico ou agente de saúde aparece na aldeia há mais de quatro meses. "Viemos exigir uma solução. O que não pode é os índios ficarem doentes e morrerem como se fossem bichos, sem qualquer atendimento".
A coordenação da FNS em Belém informou que o maior problema tem sido a falta de pessoal e material para trabalhar nas aldeias. Um documento foi enviado à direção do órgão em Brasília sugerindo que agentes de saúde, enfermeiros e médicos sejam contratados pelas prefeituras municipais para trabalhar nas aldeias. A FNS ficaria encarregada de repassar os recursos.
A falta de estrutura foi debatida pelos técnicos da FNS, semana passada, durante reunião realizada no auditório do Instituto Evandro Chagas (IEC). O chefe do Departamento de Operações (Deop) da FNS em Brasília, Ubiratan Pedrosa, com quem os coordenadores dos quatro distritos sanitários indígenas do órgão no Estado iriam se reunir, não compareceu. A justificativa foi a de que Pedrosa havia sido chamado às pressas para a uma audiência com o ministro da Saúde, José Serra.


