Índios permitem reparos em uma torre
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de fevereiro de 1997
Agência Estado, 
de Belém
Os técnicos da Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte) passaram todo o dia de ontem trabalhando na montagem de uma das torres de transmissão incendiada no início da semana passada pelos índios Krikati, do Maranhão, no trecho entre os municípios de Imperatriz e Presidente Dutra. Segundo Sinval Benevides, gerente da empresa em Imperatriz, o acordo fechado com os índios permitiu a liberação de apenas um circuito. O outro circuito danificado no incêndio e que completaria a interligação entre as regiões Norte e Nordeste do País, ainda não foi liberado pelos índios.
Os Krikati só querem permitir que a outra torre seja levantada quando o governo, cumprindo acordo fechado no sábado, começar a demarcar as terras dos índios. O engenheiro Ivonaldo Nascimento Bento, gerente da Eletronorte em Belém, informou que os caminhões da empresa levaram cimento e ferro para reparar a torre. Se o dano na estrutura de ferro da torre não foi total, ela poderá ser levantada sem problemas.
O índio Antonio Guajajara, funcionário da Funai em Imperatriz, disse que os reféns libertados no sábado à tarde foram obrigados pelos Krikati a colocar em ata e assinar tudo o que foi decidido durante as negociações.
O cacique do aldeia Krikati, João Piaui, juntamente com Roberto da Costa e Áureo Faleiros, dirigentes da Funai, vão a Brasília para nova rodada de negociações. As conversas devem definir o tamanho da reserva. Os índios concordam em reduzí-los de 146 mil hectares para 85 mil hectares.
Os índios avisaram que continuam mobilizados. E não descartam novas sabotagens contra as torres da Eletronorte, além da interdição da rodovia MA-280, que corta seu território, caso o governo federal não cumpra sua palavra de iniciar logo a demarcação das terras.


