Três índios brasileiros viajam na próxima semana para a Europa, onde irão cobrar das organizações não-governamentais, parlamentares e indústrias farmacêuticas, maior cuidado para evitar o incentivo à biopirataria. Os índios vão anunciar na Itália, a reunião que cem pajés e sábios farão em abril, em Brasília, para colocar um fim no roubo de ervas e de conhecimentos indígenas que estão sendo contrabandeados para outros países, gerando um prejuízo anual de US$ 9 bilhões ao Brasil.
Na segunda e terça-feira, os índios Marcos Terena, Paulinho Paiacan e Benjamin Xavante estarão discutindo o assunto com o Parlamento Europeu e representantes de ONGS. ‘‘Vamos explicar nossa preocupação quanto à biopirataria, a exploração irracional da madeira e falar da intenção dos pajés em fazer uma carta de princípios, estabelecendo parâmetros para o uso dos conhecimentos indígenas’’, afirma Terena.
Hoje, segundo Terena, coordenador de Direitos Indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai), entre a identificação de uma planta e sua transformação em medicamento, a indústria farmacêutica gasta em torno de US$ 300 milhões e 15 anos de trabalho. ‘‘Nossos sábios possuem conhecimentos que diminuem este tempo e todos nós temos interesse em divulgá-los, ajudando a humanidade’’, diz Terena. ‘‘Mas é preciso que haja limites para evitar que tudo isso caia em mãos erradas e transforme em pirataria’’, defendeu.

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