Salvador, 31 (AE) - Índios pataxó deram prazo até amanhã (O1) para que 95 famílias de trabalhadores deixem a Fazenda Corumbau, no município de Prado, a 790 quilômetros de Salvador. Os pataxó reivindicam as terras, ocupadas há 11 anos por trabalhadores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).Eles ameaçam invadir o assentamento e expulsar os sem-terra. O núcleo do MST da região garante que os trabalhadores vão resistir. Uma tropa da Polícia Militar seguiu para a região para evitar o conflito.
São cerca de 200 índios pintados para a guerra e armados como bordunas (espécie de porrete) comandados pelo cacique João Brás, que deixaram a aldeia por volta das 2 da madrugada de hoje em direção ao assentamento. Eles já teriam ocupado parte da área de plantio comunitário de cana-de-açucar e expulsado duas famílias.
O confronto entre pataxós e sem-terra começou em agosto passado, quando os índios invadiram o assentamento Três Irmãos expulsando 44 famílias. Uma semana depois o grupo avançou sobre a Corumbau, ocupada por 95 famílias, situada numa área contígua à Três Irmãos. Mais 25 famílias tiveram de sair de suas glebas e foram refugiar-se na agrovila de Corumbau, onde moram cerca de 500 pessoas.
Na época, o MST pediu ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que indenizasse as famílias e arrumasse uma outra área, mas isso não ocorreu. Há um mês a Justiça determinou que uma comissão de procuradores e técnicos fizesse um levantamento na região em seis meses, para determinar se as fazendas estariam mesmo em terras indígenas. Os índios não esperaram o resultado do relatório e decidiram ocupar a Corumbau.
O diretor do MST na região, Iraílton Gonçalves, disse que desta vez os sem-terra não vão sair de seus lotes porque não tiveram qualquer apoio dos órgãos do governo na invasão anterior dos índios. "Para não causar problema decidimos sair pacificamente em agosto, confiando numa solução que não chegou até agora", disse, argumentando que, se os sem-terra deixarem suas glebas não têm qualquer garantia de obter outra área. Além disso, ele lembrou que já foram investidos na Corumbau mais de R$ 500 mil em projetos agrícolas. O MST comunicou o caso ao Incra hoje e pediu ajuda.

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