Índios panarás recebem indenização por danos morais
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sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Maura Campanili<br> Agência Estado 
São Paulo - Dois anos depois da decisão final de Justiça, os índios panarás foram indenizados pela União pelos danos sofridos durante o processo de contato e da transferência à força de suas terras tradicionais para o Parque Indígena do Xingu, por causa da construção da BR-163 (Cuiabá-Santarém). A indenização, de R$ 1.261.153,12, foi depositada na terça-feira e é a primeira no País referente a danos morais (sofrimento, humilhação) e materiais (mortes) causados aos índios pelas ações e omissões do Estado brasileiro.
A ação judicial foi movida pelos próprios panarás, representados pelos advogados do Instituto Socioambiental (ISA), que abriram mão dos honorários, de cerca de R$ 125 mil, doados aos índios. Os panarás resolveram, em assembléia, manter todo o dinheiro recebido em uma aplicação financeira, utilizando somente os rendimentos para as atividades cotidianas da aldeia. Eles criaram um Fundo de Apoio Panará, com o qual pretendem arrecadar também recursos de outras pessoas ou organizações interessadas em ajudá-los.
Com apoio do ISA e da Rainforest Foundation US, os panarás já vêm fazendo uma série de projetos-piloto de alternativas econômicas, visando a sustentabilidade socioambiental da comunidade.
Conhecidos como índios gigantes, em razão da estatura dos primeiros indivíduos encontrados, os panarás viviam nas cabeceiras do rio Peixoto de Azevedo, na divisa dos estados de Mato Grosso e Pará. Chefiadas pelos irmãos Villas-Boas, as expedições para e contrá-los tiveram início em 1967, mas o contato só veio a acontecer em 1973, quando a rodovia Cuiabá-Santarém já havia cortado seu território.
Antes do contato, os panarás ocupavam dez aldeias e tinham uma população estimada entre 300 e 600 pessoas. Atraídos pela construção da estrada e pelos veículos, foram alcançados por doenças e conflitos, passando a ser comum encontrá-los mendigando às margens da Cuiabá-Santarém. A solução encontrada por Orlando Villas-Boas para evitar que desaparecessem foi transferi-los para o Parque Indígena do Xingu, para onde foram levados em 1975. Na ocasião, eram apenas 79 indivíduos.
Inconformados com o exílio, os panarás conseguiram, em 1995, o direito de retornar ao que restou de seu território, no vale do rio Peixoto de Azevedo. Atualmente são mais de 200 pessoas, a maioria crianças e adolescentes, numa região sob forte pressão madeireira.


