Curitiba - Cerca de 40 indígenas da etnia guarani de seis aldeias localizadas nos municípios de Guaraqueçaba, Paranaguá e Pontal do Paraná, no litoral, ocupam desde quarta-feira o Escritório de Coordenação Técnica da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Paranaguá. Eles cobram medidas para solucionar o atraso e as condições em que estão sendo distribuídas as cestas básicas, além da substituição de funcionários do órgão. Desde a ocupação os trabalhos administrativos da unidade estão interrompidos.
"Algumas vezes esperamos até dois meses para receber as cestas básicas. Além disso, quando os alimentos chegavam já estavam vencidos. Estamos sendo maltratados e, por isso, realizamos este protesto. Muitas pessoas estão passando fome e as crianças não podem nem beber o leite, que chega estragado", afirmou Valdeney da Silva, cacique da aldeia Cerco Grande, do município de Guaraqueçaba.
Ele também adiantou que os indígenas já entraram em contato com a Funai em Brasília para tentar resolver a questão. Enquanto isso, prometem permanecer no prédio, por tempo indeterminado. Por meio de nota, a Funai informou que está ciente da situação e acompanha a questão.
Regional
Desde 2009, com a assinatura do Decreto n.º 7056, não há mais administração da Funai do Paraná. As aldeias localizadas no interior dos três Estados da Região Sul estão sob responsabilidade da sede da Funai em Chapecó (SC). Já as tribos fixadas na região litorânea são submetidas à Coordenadoria Regional Litoral Sul, com sede em São José (SC). No Paraná ainda funcionam os Escritórios de Coordenação Técnica em Paranaguá, Curitiba, Londrina e Guarapuava.
Domingos de Oliveira, servidor da Coordenadoria Regional Litoral Sul, informou que sabe da ocupação do escritório em Paranaguá, mas que até agora não chegou até o órgão nenhum documento contendo as reivindicações dos indígenas.
Ele, entretanto, contesta a informação de que as cestas básicas estão sendo entregues com atraso e que os alimentos estariam vencidos. "Os alimentos estão sendo encaminhados no período correto e, pelo que sabemos, (o fornecimento) está temporariamente suspenso por um pedido dos próprios caciques das aldeias. Também desconhecemos que eles estejam estragados", disse o servidor.

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