Índios ocupam prédio e fazem reféns
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terça-feira, 27 de maio de 2008
Karla Losse Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 50 índios Guarani-Caingangue ocuparam no final da tarde de ontem o prédio do Ministério da Saúde, no centro de Curitiba, fazendo como reféns mais de cem funcionários de vários departamentos que estavam no edifício.
Os índios protestam contra a interrupção de parte do atendimento de saúde nas 50 tribos das etnias Guarani, Caingangue e Xetá. Segundo o líder da manifestação, cacique da tribo Rio das Cobras e vereador em Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava), Neoli Kafy Rygue Olíbio, estão paralisados o atendimento de saúde, o fornecimento de medicamentos e a realização de exames de alto custo que eram terceirizados pela organização não-governamental Associação de Defesa de Meio Ambiente Reimer. A ONG reduziu o atendimento de sua equipe devido à falta de repasses por parte da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). ''Nós temos crianças doentes que não temos como transportar porque o motorista não recebe. A situação está um caos'', afirma.
O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena no Paraná, Renato Moraes, confirma que os repasses foram interrompidos no final do ano passado e a dívida com a ONG já alcança R$ 800 mil. ''Faz tempo que nós alertamos para o que está acontecendo. Na última resposta que tivemos o dinheiro seria depositado até o dia 20, prazo que não foi cumprido. Agora a situação chegou no limite'', lamenta.
Para os funcionários que estavam impedidos de sair do prédio até o início da noite, os motivos dos índios são válidos, mas não justificam o fato de mantê-los presos. ''Nós não estamos aqui por livre e espontânea vontade. Sou até solidário aos índios, mas estamos presos dependendo de uma verba sobre o qual não temos controle'', desabafa Pedro Vasconcelos, funcionário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Indignado, o funcionário do Ministério da Saúde João Guilherme Soares da Silva questionava:''com que direito eles vêm aqui e cerceiam o meu direito constitucional de ir e vir? Eles precisam protestar de outro jeito.''
De acordo com o coordenador regional da Funasa, Vinicius Reali Paraná, o ministério só deve enviar uma resposta em 48 horas. Os índios garantiram que não deixarão o prédio antes de uma solução concreta.


