Jataizinho – Mais infraestrutura para a saúde e educação nas aldeias, além da redução do valor do pedágio. Essas são algumas das reivindicações dos cerca de 80 índios, de sete comunidades do Norte do Estado, que ocuparam durante a manhã de ontem a praça de pedágio de Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina). Motoristas que passavam pela BR-369 encontraram as cancelas abertas desde as 8 horas. A manifestação pacífica foi acompanhada a distância pela Polícia Rodoviária Federal e terminou por volta do meio-dia.
O protesto teve a participação de integrantes das aldeias Apucaraninha, Laranjinha, Pinhalzinho, Posto Velho, Barão de Antonina, São Jerônimo e Mococa.
Segundo o grupo, um corte de 70% na aquisição de medicamentos pela Secretaria Especial de Saúde Índigena (Sesai) e a falta de profissionais têm prejudicado as comunidades.
"Estamos cansados desse descaso do Sesai e do governo federal, queremos uma providência. Nossa reivindicação hoje é para que seja agendada com urgência uma reunião com a chefia do Sesai e o Ministério Público Federal para resolver a situação em que se encontra a saúde do indígena do Estado", declarou o cacique da Comunidade Indígena de Laranjinha, em Santa Amélia (Norte Pioneiro), Marcio Lourenço, que é presidente do Conselho dos Caciques da Região Norte do Paraná. Os manifestantes prometem promover novos atos caso não consigam uma reunião com a Sesai e o Ministério Público Federal.
A Sesai informou que duas conferências locais, que fazem parte da preparação para a 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena, estão marcadas para agosto nas regiões de Londrina e Guarapuava. Essas reuniões servem para debater as necessidade das comunidades indígenas.
Com o filho de 15 anos tomando remédio controlado para evitar convulsões, Elisabete Pereira, moradora da Apucaraninha, conta que sente na pele as consequências da falta de estrutura nas aldeias. "Não encontro mais os remédios que ele precisa no posto de saúde e, muitas vezes, nem em Tamarana. Então tenho que ir a Londrina para buscar ou comprar. Mas não tenho condições financeiras para isso. Sou separada, tenho mais outros dois filhos e não posso trabalhar por ter quem fique com ele. Está muito difícil para mim", lamentou.
Na aldeia de Posto Velho, em Abatiá (Norte Pioneiro), não há Unidade Básica de Saúde (UBS), segundo o líder Nelson Camargo. "Quando nossos filhos precisam de algum tipo de exame, precisamos retirar de nosso próprio bolso, porque o SUS não cobre", destacou.
Outra reivindicação é a instalação de computadores, internet, telefone e construção de quadras esportivas cobertas na aldeias.
O grupo também critica o valor do pedágio.
Motoristas que passaram sem pagar pela praça ocupada manifestaram apoio. O caminhoneiro Nelson Dutra da Silva, morador de Ribeirão do Pinhal (Norte Pioneiro), transporta animais para frigoríficos em Apucarana e gasta R$ 900 por mês só com pedágio. "Sou totalmente a favor da manifestação. Eles devem mesmo exigir seus direitos. O valor abusivo do pedágio, por exemplo, é um problema que atinge a todos."
O pedágio na praça de Jataizinho custa R$ 13,40 para automóveis e R$ 6,70 para motos. Ônibus e caminhões pagam R$ 10,90 por eixo. A Econorte informou apenas que alvo do protesto não era a cobrança de pedágio.

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