Brasília, 19 (AE) - Um grupo de 400 pataxós e pataxós hã hã hãe invadiu hoje o Parque Nacional de Monte Pascoal, no sul da Bahia, e promete permanecer no local para marcar as comemorações dos 500 anos de descobrimento. "Vamos celebrar esses 500 anos em nossa terra, receberemos os nossos parentes de todo o Brasil aqui", informaram os índios que enviaram carta às autoridades brasileiras.
O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, distribui nota em que diz temer que a causa indígena acabe transformando-se em "ponta-de-lança da devastação das florestas". Ele adverte que o parque invadido é um dos poucos lugares onde existem vegetações remanescentes da Mata Atlântica. E, por isso, deve ser preservado. Sarney Filho acredita que o Ministério da Justiça vá retirar os índios do parque.
Posse - Os índios não admitem classificar a ação de hoje de invasão, falam em "retomar" suas terras. "Pretendemos transformar o que as autoridades chamam de Parque Nacional do Monte Pascoal, em Parque Indígena, terra dos Pataxós". A decisão foi tomada por um conselho de caciques, que optou pelo retorno ao Monte Pascoal como forma de garantir os direitos do seu povo sobre o território. O conselho reclama de problemas na demarcação das terras indígenas e confirma a "necessidade de ampliação e recuperação" das terras indígenas.
Os pataxós dizem estarem cansados de "muita conversa bonita" e de esperar pelos governantes. Para eles, é impossível comemorar os 500 anos sem lembrar do sofrimento e da violência contra os povos indígenas que perduram até agora. Reclamam do descaso dos órgãos públicos responsáveis pela tratamento dos índios e da falta de assistência.

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