Agência Estado
De Salvador
Mais de 300 índios pataxós da Aldeia Boca da Mata, situada no extremo-sul baiano, continuavam ocupando, ontem à tarde, o escritório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) no Parque Nacional de Monte Pascoal, reserva ecológica de 14 mil hectares com remanescentes da mata atlântica. Alguns portam conjuntos de arcos e flechas artesanais e bordunas, espécie de porrete indígena. O grupo invadiu o local anteontem e expulsou os funcionários do Ibama que tomavam conta do parque, inclusive a diretora do escritório Carmem Florêncio.
O cacique Alfredo Santana, que comanda a ação, convocou ontem mais cem índios para reforçar a presença pataxó no parque. Os índios querem tomar posse da reserva, alegando que a área é ‘‘território indígena’’. Argumentam que não se pode falar em comemorar 500 anos do Descobrimento enquanto os pataxós têm necessidades básicas, sem a assistência adequada do governo.
Desde o ano passado, os índios baianos decidiram ocupar terras que consideram suas. No segundo semestre de 98, integrantes da Aldeia Pataxó Águas Belas invadiram dois assentamentos de sem-terra no município de Porto Seguro e estão no local até hoje.
A Reserva de Monte Pascoal sempre foi reivindicada pelos pataxós. Quando o governo federal demarcou a reserva, transformando-a em área de preservação, os índios ganharam uma área contígua ao parque, de 8.600 hectares. Ao longo dos anos eles venderam todas as árvores nobres existentes no local como jacarandá, cerejeira, massaranduba, ipê e outras características da mata atlântica, para madeireiros inescrupulosos da região.
Também são comuns as queimadas promovidas no lado indígena que acabam atingindo a floresta do parque. Os pataxós já foram flagrados várias vezes desmatando o parque pelos fiscais do Ibama, mas agora dizem que não são ‘‘destruidores de florestas’’. Ao contrário, garantem que se tomarem posse de Monte Pascoal vão preservá-lo.
O Ibama vai requerer na Justiça a reintegração de posse do parque, a pedido do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Em nota sobre o assunto divulgada ontem, o ministro lembrou que no local invadido estão espécies originais de mata atlântica que precisam ser preservados. Disse também que tem todo o apoio do Ministério da Justiça para tirar os índios da área invadida.

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