Índios ocupam Funai em Porto Velho e exigem volta de administrador
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Chico Araújo, especial para a AE 
Brasília, 08 (AE) - O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Frederico Mares Filho, poderá decretar intervenção na administração regional de Porto Velho, em Rondônia, ocupada por cerca de 150 índios de diversas tribos desde segunda-feira. São índios das tribos Gavião, Arara, Cinta Larga, Carintiana, Tamari, Parintintin e Caripano.
Eles exigem o retorno do funcionário Osni Ferreira, demitido do cargo em novembro. Ferreira é funcionário da Funai e foi afastado da administração da Funai sob a acusação de envolvimento com garimpeiros e madeireiros que atuam ilegalmente nas áreas indígenas. Hoje a direção da Funai em Brasília mandou o indigenista Izanoel Sodré a Rondônia para negociar a desocupação da Funai.
"Se não houver acordo com os índios, a saída será a intervenção na regional de Rondônia", disse o assessor da presidência da Funai, Moacir Santos. Ele garantiu que o presidente Carlos Mares não irá reconduzir Osni Ferreira à direção da Funai. De acordo com Santos, Mares descarta qualquer possibilidade de indicar novamente Ferreira.
O índio Alberto Gavião, da tribo Gavião, um dos líderes da ocupação da Funai, disse hoje que as tribos só desocuparão o prédio quando o presidente Carlos Frederico Mares reconduzir Osni ao cargo. "Se Osni não voltar não tem conversa com ninguém", avisou. Gavião disse que é de revolta o clima entre os indígenas que tomaram a sede da Funai na capital de Rondônia. Segundo o índio, as tribos não abrirão mão de defender até as últimas consequências o retorno do ex-administrador.
O assessor Moacir Santos explica que se Sodré não convencer os índios a se retirarem da sede do órgão, a Funai deve indicar um interventor para resolver o impasse. Segundo ele
a ocupação da Funai deu-se em função de disputa de poder entre os índios.
O presidente da Coordenação da União das Nações e Povos Índigenas de Rondônia (Cunpir), Antenor Cartiana, disse que o pedido de retorno de Osni Ferreira à administração da Funai faz parte de uma "jogada política" para beneficiar Osni e seu filho. Segundo Caritiana, os dois estariam distribuindo dinheiro e comida e garantindo transporte aos índios para garantir o retorno de Osni à direção do órgão em Porto Velho.Caritina disse ter recebido abaixos-assinados de diversas tribos de Rondônia, que não aceitam ter Osni como administrador regional. Ele afirmou que a maioria dos manifestantes que estão na capital são da tribo Cinta Larga, em Cacoal.


