Os índios caiapós da aldeia Aukre, liderada pelo cacique Paulinho Paiakan, condenado pelo Tribunal de Justiça do Pará a seis anos de prisão pelo estupro da professora Silvia Letícia, em 1992, ficaram revoltados com a decisão dos desembargadores. Eles estão reunidos em assembléia permanente e advertem que nenhum oficial de Justiça ou policial irá entrar na aldeia para prender o cacique e levá-lo para a penitenciária de Americano, próximo a Belém, onde ele deve cumprir a pena.
Comerciantes e autoridades de Redenção, no sul do Pará, temem distúrbios na cidade provocados pelos índios.
Eles exercem grande influência na vida econômica e social do município, pois são grandes compradores no comércio local e gastam o dinheiro da venda de madeira e castanha em sua reserva nas boates e prostíbulos da cidade.
Paiakan voltou a criticar a decisão da Justiça, afirmando que os ‘‘juízes dos brancos são muito complicados’’. Ele disse que bebeu muito no dia do estupro, mas acusou sua mulher, a índia Irekrã, como responsável pelas agressões físicas e sexuais contra a professora.
‘‘Foi ela quem estuprou, com a mão, a Letícia’’. O advogado José Carlos Castro foi procurado ontem por Paiakan para defendê-lo no recurso que será impetrado no Superior Tribunal de Justiça. ‘‘Vou tentar transferir o caso para a Justiça Federal’’, prometeu Castro.

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