Terminou sem consenso a reunião realizada ontem, no Ministério Público Federal (MPF) de Londrina, para tentar resolver o impasse entre os índios caingangues da Reserva Apucaraninha e a Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel). Desde o último domingo o grupo está acampado em uma usina hidrelétrica da Copel. Uma nova reunião foi pré-agendada para o próximo dia 24.
Três operadores da usina foram rendidos pelos caingangues, que também colocaram dois barris de óleo diesel em frente à sala de máquinas. Eles ameaçam atear fogo no local, caso a Copel não entre num acordo sobre o valor que irá pagar aos índios de Apucaraninha, a título de indenização por danos ambientais. A usina foi construída em 1949 dentro da terra indígena, localizada em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), e há cerca de cinco anos o grupo vem brigando pelo direito de indenização.
O presidente do Conselho Indígena do Estado do Paraná, Ivan Bribis Rodrigues, afirmou que os cinco representantes da aldeia que foram à reunião saíram insatisfeitos. ''Não houve acordo. A Copel enviou um funcionário de Curitiba, mas nós queremos falar com os diretores da companhia'', asseverou. Segundo ele, a Copel teria se comprometido a colocar a diretoria em diálogo direto com os índios, o que só deve acontecer no dia 24.
Até lá, de acordo com o presidente, os caingangues não devem mais manter funcionários como reféns, mas permanecerão acampados no pátio da usina. Ele disse ainda que o documento com avaliação do MPF sobre o valor da indenização, que era aguardado pela Copel, foi apresentado ontem. ''Pelo visto a manifestação serviu ao menos para agilizar esse parecer. O valor sugerido pelo MPF foi de R$ 13,6 milhões, isso sem as correções (monetárias) que precisavam ser feitas após 2002. É um valor que nós aceitamos'', explicou, com cópia do documento em mãos. O mesmo relatório cita que o montante oferecido pela Copel corresponde à metade desse valor, R$ 6,6 milhões.
Rodrigues disse acreditar que esse documento poderia acalmar os ânimos na aldeia, mas o cacique Jucelino Vergílio observou que ''a briga que vocês estão vendo está só no começo''.
O procurador geral da República de Londrina, João Akira Omoto, saiu da reunião sem dar entrevista, mas disponibilizou cópia da ata do encontro. O texto dizia que a reunião foi tensa e que os índios ficaram mais temerosos após o anúncio de que a Copel pretende concretizar o projeto da Usina Mauá, no Rio Tibagi, entre Telêmaco Borba e Ortigueira. O local é tradicional terra caingangue. Eles acreditam que isso abrirá caminho para a construção de outras usinas projetadas para a Bacia do Tibagi, como a de São Jerônimo - cuja construção foi barrada após protestos dos índios.

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