Tomazina - Um grupo de índios da Reserva Indígena de Pinhalzinho no município de Tomazina (101 quilômetros ao sul de Jacarezinho) manteve, pelo segundo dia consecutivo, o bloqueio de uma estrada vicinal, entre Tomazina e Guapirama (55 quilômetros ao sul de Jacarezinho). Eles exigem a liberação de um alvará de pesquisa pelo Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, para a exploração de um porto de areia na reserva.
Lideranças locais disseram que o bloqueio será mantido até a liberação da documentação necessária para a exploração do porto de areia. Zucrei Amarildo Alves, um dos líderes do protesto, disse que o grupo está disposto a ficar no local por tempo indeterminado e alertou que, em caso de demora na resolução do problema, motoristas poderiam ser mantidos como reféns. Até o final da tarde de ontem o protesto era pacífico. A Polícia Militar esteve no local.
Eles querem utilizar o porto de areia no rio das Cinzas como uma alternativa de renda para a comunidade. O grupo que mantém o bloqueio é formado por quase 50 índios. Eles também reivindicam explicação junto a Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre a demora na liberação da documentação. O processo, segundo o grupo, teve início há mais de um ano. ''Estão nos fazendo de bobo'', acusa Alves.
O administrador executivo regional da Funai, José Gonçalves dos Santos, disse que uma comissão formada por ele, o presidente do conselho indígena do norte do Paraná, o cacique e lideranças da reserva teriam reuniões, hoje, com membros do DNPM para tentar sensibilizar o órgão e obter o alvará. Ele também disse que o processo é demorado porque é a primeira vez no Brasil que se concede a exploração de um porto de areia aos índios.
Santos afirmou que o processo no local está adiantado com o reflorestamento da área. O administrador confirmou que a comunidade é carente e que a exploração do porto poderia estimular o desenvolvimento e proporcionar mais uma opção de renda. Ele disse que um representante da Funai foi encaminhado ao local para acompanhar a manifestação e que o impasse deve ser resolvido ainda hoje.
A reserva tem 31 famílias com cerca de 126 índios da etnia guarani. A reserva tem 365 hectares e foi criada na década de 1970. Em uma área de 40 hectares os índios cultivam café e milho. A reserva está localizada no Distrito do Sapé em Tomazina a cerca de seis quilômetros da cidade de Guapirama.

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