Belém, 11 (AE) - Os índios xicrin, da aldeia Cateté, em Tucumã, no sul do Pará, decidiram hoje manter o bloqueio na rodovia de acesso às localidades conhecidas por Caldeirão e Baía
onde ficam as minas de ouro e manganês da Companhia Vale do Rio Doce, na Serra dos Carajás. A decisão foi comunicada no início da tarde ao coordenador substituto da Fundação Nacional do Indio (Funai) em Marabá, Eimar Araújo e ao representante da Vale do Rio Doce, José Venâncio.
Para liberar a rodovia, os índios exigem a implantação de um programa de manejo sustentanto de madeira voltado para a preservação ambiental. O programa, que seria implantado na reserva florestal do Cateté, foi prometido aos xicrin há mais de um ano e até agora não foi cumprido. O projeto, pioneiro no País
é uma iniciativa de organizações oficiais e não-governamentais como Funai, Ibama, Embrapa, Companhia Vale do Rio Doce e Instituto Sócio-Ambiental (ISA), de São Paulo.
Além de aprender técnicas sobre como fazer a derrubada seletiva de madeira, preservando outras árvores de menor porte e fazendo o replantio, os índios iriam adquirir autonomia para fazer a comercialização do produto. "Seria a nossa redenção econômica", afirma o cacique Bep-Karaoti, que hoje liderava 300 guerreiros armados de flechas e bordunas nas rodovia de Carajás.
A direção da Vale em Carajás informou que um representante da empresa no Rio de Janeiro e um técnico do ISA desembarcam amanhã (12) na Serra dos Carajás para anunciar aos índios a implantação definitiva do projeto. O assessor de imprensa da Funai, Roberto Lustosa, disse que o órgão não tem poder para resolver o problema, porque presta apenas "assessoria técnica" ao projeto. Hoje, um avião da Funai foi para a aldeia Cateté com a missão de conduzir os caciques Butiê e Karangrê até Carajás. Eles devem ajudar nas negociações para desbloquear a estrada.
A reunião será retomada amanhã (12) e deverá contar com a presença do procurador da República e dos Direitos do Cidadão no Pará, Ubiratan Cazetta.

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