Recife, 07 (AE) - Os índios da aldeia Truká, em Cabrobó, a 606 quilômetros do Recife, libertam, hoje à noite, os dois funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que mantinham como reféns após promessa da fundação de retomar na terça-feira (11) o trabalho de levantamento fundiário de suas terras. Eles, no entanto, mantém, o bloqueio da ponte que liga a cidade à Ilha de Assunção, onde fica a aldeia. Segundo o líder truká Aílson dos Santos, a ponte só será liberada quando as terras forem homologadas como pertencentes aos índios. "A gente não abre mão disso, porque senão a Funai não cumpre a promessa", afirmou.
Os trukás ocupam 2.150 hectares na Ilha de Assunção. Eles reclamam mais 1,9 mil hectares que dizem lhes pertencer por direito e que estão ocupados por 37 posseiros. A aldeia tem cerca de 2 mil índios e Santos afirma que dos 2.150 hectares que ocupam, 800 hectares são cobertos de mata e 40% da área restante tem solo salinizado. Ele diz que além de os índios não terem como sobreviver da agricultura em área tão pequena, vivem ameaçados de morte pelos posseiros e por traficantes de maconha. Cabrobó integra o chamado Polígono da Maconha.
O levantamento, realizado Incra e Funai, foi suspenso há duas semanas porque a fundação não dispunha de R$ 10 mil, importância necessária para pagar diárias de funcionários e de agentes federais e arcar despesas com combustível e barqueiros. É necessária a presença da Polícia Federal para dar proteção aos técnicos, porque a região é perigosa. Os técnicos liberados foram Marcos Florentino de Siqueira, da Funai, e Alexandre Sérgio Didier, do Incra. Mesmo livre, Didier preferiu ficar na reserva, solidário à causa dos índios.

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