Campo Grande, 26 (AE) - Visivelmente debilitados e com os corpos completamente marcados por picadas de insetos, foram libertados às 20 horas de ontem (25), pelos índios Terena, o historiador da Funai em Brasília, Rogério Rezende, e o assessor de imprensa do órgão em Campo Grande, Geraldo Duarte Ferreira. Eles ficaram três dias e duas noites presos em uma cabana indígena, como garantia de negociação com o presidente da Funai, Frederico Marés Filho, sobre a demarcação das terras na região.
São 2.300 índios Terenas que estão comprimidos em pouco mais de 2 mil hectares na Aldeia água Boa, localizada no distrito Buriti, município de Sidrolândia, a 70 quilômetros do centro de Campo Grande. Eles querem que a Funai demarque as terras consideradas propriedade de seus antepassados, que somam 18 mil hectares. Toda essa área esta dividida em pequenas fazendas de produtores brancos, que apesar de existir um levantamento das terras indígenas no município, estão legalizando as fazendas, junto aos órgãos competentes. Essa iniciativa dos fazendeiros revoltou os indígenas, que resolveram fazer reféns os dois servidores e obrigar a presença do presidente da Funai na aldeia.
Frederico negociou durante cinco horas com os Terenas, conseguindo a liberdade dos reféns depois de firmar um acordo se comprometendo a iniciar imediatamente o levantamento das terras indígenas e promover a desapropriação das fazendas existentes e transforma-las em novas aldeias para os Terenas.
O presidente da Funai chegou em Campo Grande sexta-feira passada para cumprir uma agenda repleta de visitas às aldeias de Mato Grosso do Sul, onde os conflitos de terra estão ficando cada fez mais perigosos.
Um dos focos mais agitados é junto aos índios Guarani-Kaiowas, no distrito de Panambizinho, em Dourados, região sul no MS e a 240 quilômetros da capital. No local os índios ameaçam invadir 36 propriedades rurais que estão dentro do que consideram terras indígenas.
A área toda foi ocupada pelo então presidente Getúlio Vargas, transformando em loteamento para assentamento de Sem-Terra, durante a primeira reforma agrária que realizou no País. Apesar de terem toda documentação legalizada de suas terras, produtores rurais terão que deixar as fazendas. Frederico garantiu que um grupo de trabalho está realizando o levantamento das benfeitorias de cada propriedade rural em Panambizinho para indenizar os proprietários e entregar a área aos índios. Em Amambai, no extremo sul do Estado, o presidente da Funai se reuniu hoje com lideranças indígenas de Terenas e Kaiowas para ouvir deles uma série de reclamações. Na região os índios estão envolvidos com o alcoolismo e até drogas como a maconha. Bêbados, eles atravessam a rodovia e acabam morrendo atropelados. Os líderes querem mais rigor no controle de zona de bebidas alcóolicas para índios no comércio de Amambai e também mais ação da Polícia Federal contra os traficantes de drogas. Na terça-feira Frederico volta a Brasília para continuar com as medidas visando sanear os problemas dos índios do Mato Grosso do Sul.