Índios libertam funcionários da Funai e Incra
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de maio de 1999
Agência Estado 
Os índios da aldeia Truká, em Cabrobó, a 606 quilômetros do Recife, libertam, ontem à noite, os dois funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que mantinham como reféns após promessa da fundação de retomar na terça-feira o trabalho de levantamento fundiário de suas terras.
Eles mantém o bloqueio da ponte que liga a cidade à Ilha de Assunção, onde fica a aldeia. Segundo o líder truká Aílson dos Santos, a ponte só será liberada quando as terras forem homologadas como pertencentes aos índios.
Os trukás ocupam 2.150 hectares na Ilha de Assunção. Eles reclamam mais 1,9 mil hectares que dizem lhes pertencer por direito e que estão ocupados por 37 posseiros. A aldeia tem cerca de 2 mil índios e Santos afirma que dos 2.150 hectares que ocupam, 800 hectares são cobertos de mata e 40% da área restante tem solo salinizado. Ele diz que além de os índios não terem como sobreviver da agricultura em área tão pequena, vivem ameaçados de morte pelos posseiros e por traficantes de maconha.
O levantamento, realizado Incra e Funai, foi suspenso há duas semanas porque a fundação não dispunha de R$ 10 mil, importância necessária para pagar diárias de funcionários e de agentes federais e arcar despesas com combustível e barqueiros. É necessária a presença da Polícia Federal para dar proteção aos técnicos, porque a região é perigosa.
Os técnicos liberados foram Marcos Florentino de Siqueira, da Funai, e Alexandre Sérgio Didier, do Incra. Mesmo livre, Didier preferiu ficar na reserva, solidário à causa dos índios.
Assassinato Milton Barbosa Siqueira, de 25 anos, matou anteontem seu irmão Iran Barbosa Siqueira, de 29 anos, em Várzea Paulista (SP). A briga foi por causa de um quilo de açúcar. Milton matou Iran com três tiros de revólver e fugiu.
De acordo com a polícia, a mulher de Iran, Francineide dos Santos, que mora nos fundos da casa da mãe dos irmãos, pediu à sogra, Maria Matias dos Santos, um quilo de açúcar . Ela negou. Iran, irritado tentou bater em sua mãe e Milton passou a defendê-la. No meio da discussão Iran pegou uma faca e Milton sacou um revólver, matando o irmão na hora.


