Índios liberam rodovia no Pará após promessa
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
belém, 12 (AE) - O cerca de 300 índios da tribo xicrin, da aldeia Cateté liberaram, no início da tarde de hoje, a estrada que dá acesso às minas de ouro e manganês da Companhia Vale do Rio Doce, na Serra dos Carajás, no sul do Pará. A estrada estava bloqueada desde segunda-feira. Os índios estavam impedindo o acesso de caminhões às minas exigindo o cumprimento de um acordo fechado no final do ano passado com órgãos públicos e entidades civis. Pelo que ficou acertado, a Vale, o Instituto Socioambiental (ISA), a Fundação Nacional do Índio (Funai) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deveriam implantar um programa de manejo sustentado de madeira dentro da reserva indígena.
De acordo com o engenheiro das áreas de Meio Ambiente e Relações Externas da Vale em Carajás, Antônio Carlos de Lima Venâncio, as reivindicações dos índios serão atendidas. Um acordo será firmado amanhã (13) entre a Vale, ISA e Funai, com caciques da tribo xicrin, definindo o esquema de trabalho. Além do programa de manejo florestal sustentado, os índios serão beneficiados por um projeto agrícola para geração de alimentos nas aldeias. Para este ano, segundo Venâncio, o projeto de manejo já tem garantidos R$ 300 mil. Quanto ao programa agrícola
ele informou que a Vale irá levantar o custo e contratar um empresa para implantá-lo. Bloqueio - Durante os dois dias de bloqueio da estrada a Vale não paralisou o trabalho nas minas, mas seus pátios ficaram lotados de minérios, que não puderam ser embarcados. Cerca de cem caminhões e seus motoristas ficaram retidos na rodovia pelos índios durante 48 horas e sob a mira constante de flechas e bordunas.


