Índios lembram morte de Galdino de Jesus em protestos na Bahia
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 19 (AE) - Festa e protestos marcaram a passagem do Dia do Índio, hoje, nas principais aldeias indígenas da Bahia. Na Aldeia São Lucas, situada no município de Pau Brasil, a 550 quilômetros de Salvador, os pataxõs hã-hã-hãe lembraram o assassinato de um dos líderes da tribo, Galdino de Jesus, morto queimado em Brasília há dois anos, no dia 22 de abril, por cinco jovens da classe-média.
Representantes do núcleo regional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) participaram das manifestações em Pau Brasil onde moram 1,8 mil índios. Eles lembraram que, apesar dos problemas, os pataxós podem comemorar algumas conquistas após muita luta: a prisão dos assassinos do índio Galdino e a obtenção de mil hectares de terras, anexadas pelos pataxós nos conflitos que se seguiram após a grande repercussão causada com o crime de Brasília. Ma época, os índios invadiram várias fazendas vizinhas à Aldeia São Lucas e expulsaram os colonos que se diziam donos das terras. Pouco tempo depois, a Justiça reconheceu a posse dos pataxós nas áreas invadidas.
Em Santa Cruz Cabrália, extremo-sul da Bahia, os pataxós da Aldeia Coroa Vermelha também estão comemorando o início do processo de retirada de 320 famílias de posseiros que ocupam uma faixa litorânea de 70 hectares na área onde foi realizada a primeira missa no Brasil, em 26 de abril de 1500. Os posseiros foram chegando ao local há oito anos e construiram dezenas de bares, restaurantes e lanchonetes à baira-mar, de onde tiram o sustento. Em 1997, o governo anunciou que a área seria desapropriada e devolvida aos índios mas, uma sucessão de problemas adiou a retirada dos posseiros. Um dos caciques da tribo pataxó, Aílton dos Santos obteve a informação da Fundação Nacional do Indio (Funai) que o governo vai começar a indenizar as famílias até final do mês.


