Índios invadem sede da Funai no Acre
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Agência Estado 
Cerca de 80 caciques e pagés de 14 tribos do Acre e Sul do Amazonas invadiram ontem a sede da Funai em Rio Branco, impedindo a entrada dos servidores ao trabalho. Pintados para a guerra e armados com arco e flexa, os índios exigiam a demissão do diretor Sebastião Figueiredo, acusado de nepotismo, abuso de autoridade e omissão em denúncias de corrupção.
O líder do movimento, Sebastião Manchinery, afirmou que os índios vão manter a ocupação até que a presidência da Funai confirme um novo diretor, que deverá ser de algumas das tribos administradas pela regional do Acre. Alguns manifestantes ocuparam também a Casa do Índio, um hospital especializado a atendimento a populações indígenas. A Polícia Federal foi chamada para evitar que o tumulto prejudicasse o tratamento dos doentes.
A assessoria da presidência da Funai, em Brasília, informou que o assunto está sendo analisado. No Acre, o órgão passou por uma devassa no final do ano pasado. Há um mês o contabilista Juraci Moreira foi afastado do cargo acusado de desviar mais de R$ 80 mil em seis meses.
GaldinoMães de colegas e amigos dos quatro rapazes acusados de matar o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos - queimado vivo há dois anos em um ponto de ônibus de Brasília - iniciaram ontem, em Brasília, uma campanha na tentativa de reverter o destino dos jovens, que estão prestes a enfrentar o júri popular. Eles fizeram uma brincadeira de profundo mau gosto, mas não tinham a intenção de matar o índio, disse hoje à Agência Estado uma das organizadoras do movimento, a professora e advogada Sandra Guerreiro, mãe de um amigo de um dos envolvidos no episódio. Só queremos que se restabeleça a verdade, disse ela, admitindo que a campanha começa agora, depois de dois anos de silêncio, justamente porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu levar o caso a júri popular.


