Curitiba - Cerca de 50 índigenas, inclusive crianças, invadiram a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Curitiba, na manhã de ontem. Eles pedem a revogação do decreto 7.056, assinado em 28 de dezembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reestrutura a fundação em todo o país. Outro protesto aconteceu na BR-373, perto da aldeia de Magueirinha, no Sul do Estado, onde 150 manifestantes fecharam a rodovia durante toda a tarde. Houve protestos também em Brasília.
Segundo a vice-presidente da ONG Aldeia Brasil, Sandra Terena, a maior crítica dos indígenas em relação ao decreto é a extinção das três administrações regionais e do núcleo de apoio do Paraná. Na nova organização, as comunidades paranaenses ficariam subordinadas à coordenaria que será criada em Florianópolis (SC). ''Hoje a ajuda que os índios recebem é pouca, mas está boa. Da forma como está previsto, pode faltar recurso para as aldeias''.
Os índios também reclamam de não terem sido consultados. Caciques de várias comunidades paranaenses foram ontem à Brasília, com representantes de outros estados, pedir explicações e a revogação do decreto. ''Queremos esclarecimentos das autoridades porque querem fechar a Funai daqui. Esperamos essa posição e ficaremos na sede quantos dias for preciso'', disse o cacique Carlos Ubiratan, da Aldeia Kakané Purã, na Região Metropolitana de Curitiba.
Um dos dois funcionários que estavam na sede no momento da invasão, José Ferreira Campos Júnior, diz que a decisão é ''triste'' para os indígenas. ''As administrações regionais tinham vida e orçamento próprios para auxiliar na atividade produtiva das aldeias e até acompanhar e apoiar a educação dos índios. Eles temem a perda dessa autonomia''.
O presidente da Funai, Márcio Meira, negou a extinção de postos e administrações regionais. ''Houve apenas mudança na nomenclatura das unidades regionais, o que não foi compreendido pelos indígenas'', disse. Ele explicou que houve mudança na distribuição das unidades com base na nova gestão territorial, que inclui 36 regiões geográficas. Em cada uma dessas regiões existem atualmente várias unidades da Funai. Meira esclareceu ainda que haverá um reforço institucional, com mais pontos de atendimento aos índios.
O presidente da Funai, que recebeu representantes de diferentes etnias ao longo do dia, pretende agendar encontros com membros daquelas com que ainda não se reuniu para esclarecer todos os pontos de dúvida.
Usina
Em Londrina cerca de 100 índios são esperados hoje na sede da Funai. Além de protestar contra o decreto, os índios querem pressionar o governo federal a negociar uma indenização pelos futuros impactos ambientais que a Usina Hidrelétrica de Maua da Serra poderá causar em pelo menos quatro reservas da região: Apucaraninha, Mococa, Barão de Antonina e São Jerônimo. ''Vamos aproveitar a oportunidade em que vários índios estão se deslocando de suas reservas para pressionar uma negociação'', reforçou o administrador da Funai em Londrina, Mário Jacinto. ''Vamos acampar lá no canteiro de obras e até o final da semana queremos reunir pelo menos uns 300 índios'', disse. (Colaborou Fernanda Borges)

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