São Paulo, SP - Cerca de 200 índios invadiram anteontem à noite o prédio da Coordenação Regional da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), em Campo Grande (MS). Eles mantiveram reféns cerca de 15 funcionários, mais o coordenador regional do órgão, Gaspar Francisco Hickmann.
A invasão aconteceu um dia após o governo federal alterar, pela sexta vez desde a década de 60, os rumos da política de saúde indígena no país. Mesmo sem estrutura, sem pessoal, sem plano de ação, como avaliam várias organizações, a Funasa voltou a ter responsabilidade plena de assistência médica a 400 mil índios.
As lideranças indígenas se reuniram ontem à noite com o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Ricardo Chagas. O órgão quer que o assunto seja intermediado pelo Ministério Público Federal. Os índios querem negociar diretamente.
Em Mato Grosso do Sul, os índios reivindicam a elevação do teto orçamentário deste ano de R$ 9,6 milhões para R$ 12,7 milhões, e a quitação dos salários atrasados de funcionários das equipes do PSFI (Programa de Saúde da Família Indígena).
Durante a madrugada, dez reféns foram liberados. Cinco funcionários e o coordenador regional da Funasa permaneceram detidos pelos índios. ''Eles dormiram no local, mas não estamos cometendo nenhuma violência contra eles. Essa é apenas uma reivindicação para forçar aumento de repasse para o Estado'', afirmou o presidente do Condisi (Conselho Distrital de Saúde Indígena), Hilário da Silva.
A justificativa oficial para que a Funasa reassuma a responsabilidade pela saúde indígena é o cumprimento da lei 9.836, de setembro de 1999, que impõe ao governo federal a responsabilidade pela gestão da saúde indígena.
Desde 1999, parte dos cuidados com a saúde indígena está a cargo de ONGs, universidades, prefeituras e Estados, que firmam convênios com a União. A medida foi tomada pelas dificuldades da Funasa em dar conta das tarefas.

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