Brasília, 31 (AE) - Liderados por Xavantes, índios de diversas etnias invadiram hoje pela manhã o gabinete do presidente da Funai, Marcio Lacerda. Para fugir de sequestro, como já ocorreu com outros presidentes do órgão, Lacerda deixou o prédio da Fundação, pegou um táxi e procurou abrigo no Ministério da Justiça. Os índios querem a destituição de Lacerda e protestam contra um projeto de lei que prevê a extinção da Funai e a estadualização da assistência indígena.
De acordo com fontes do governo, os Xavantes estariam também querendo a permanência da atual administração de Nova Xavantina (MT). O consultor jurídico do Ministério da Justiça, Byron Prestes Costa, que recebeu uma comissão de cerca de 50 índios, informou que a Funai está avaliando o caso de Nova Xavantina, porque a localidade estaria sendo responsável por quase 30% do total de R$ 8 milhões de dívidas da fundação com fornecedores de alimentos e medicamentos, transporte e hospedagem de índios.
Costa admitiu, no entanto, que a falta de recursos e os sucessivos cortes no orçamento da Funai contribuíram para o crescimento da dívida. "Muitos administradores fazem contas para poder manter a assistência", afirmou. O consultor jurídico
no entanto, afastou a possibilidade da saída de Marcio Lacerda da Funai. "Eles decidem nas aldeias; aqui, quem decide é o governo", disse Byron Costa. Quanto à proposta de extinção da Funai, o consultor explicou que o governo está fazendo uma avaliação da Funai. "Mas ainda não há posição adotada", explicou.
Os índios são contra o projeto do senador Mozarildo Cavalcante (RR), que autoriza o executivo a extinguir a Funai e a criar a Secretaria Nacional de Assuntos Indígenas, ligada ao Ministério da Justiça. Os índios acabaram deixando a sede do Ministério da Justiça depois de mais de três horas de reunião sem um resultado concreto. Mas levaram documentos contidos na pasta de um dos assessores da presidência da Funai.

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