Índios invadem fazenda no extremo sul do MS
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por João Naves de Oliveira, especial para a AE 
Amambaí, MS, 31 (AE) - Um grupo de 60 índios guarani-kaiowás invadiu hoje, por volta de 10oras, a sede da Fazenda São Miguel, localizada a 40 quilômetros do centro da cidade, no extremo sul do Mato Grosso do Sul. Segundo os ocupantes da propriedades, os índios chegaram gritando, dando tiros e flechadas, fazendo com que todos saíssem do local correndo. O dono da fazenda, Vicente Araújo Maciel, médico, dono do Hospital de Paranhos, cidade vizinha a Amambaí, disse que não houve tempo para que os empregados da fazenda esboçassem qualquer reação. A propriedade de 170 hectares é considerada pequena na região.
Os líderes dos invasores disseram que a ocupação é uma resposta aos fazendeiros que se reuniram sexta-feira passada na sede da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, para traçar estratégias de defesa contra as invasões indígenas. Em todo Estado existem 45 fazendas sendo vistoriadas por um grupo nomeado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), cujo o trabalho é identificar e delimitar terras indígenas.
Segundo o coordenador de Meio Ambiente e Populações Indígenas da Famasul, Josiel Quintino dos Santos, os fazendeiros estão apavorados com as sucessivas invasões indígenas. "São incursões violentas e sempre de surpresa que resultam em grandes prejuízos. Os índios matam bovinos e destroem lavouras, deixando os produtores rurais em maus lençóis", disse Josiel. Ele afirmou que todo os recursos disponíveis da entidade serão empregados contra essas ações. "A primeira medida da Famasul será abrir a caixinha preta que se chama Funai. A Funai é que está incentivando as invasões de terra sem qualquer fundamento"
acusou.
Para o antropólogo Hilário Rosa, que está levantando dados sobre a presença indígena na Fazenda Brasília do Sul, localizada no município de Juti, na Grande Dourados, também região sul do MS, "é um crime sem precedentes o que está acontecendo no Estado". "Na verdade, o índio está sendo mero instrumento de organizações que desejam a baderna e o rompimento da ordem no País", disse o antropólogo.
A Fazenda Brasília do Sul foi invadida no dia 27 de abril do ano passado por 250 índios guarani-kaiowás, que estão no local até hoje resistindo às ordens de despejo. A invasão de hoje mostrou que os índios estão dispostos a ocupar outras fazendas. O administrador regional da Funai, Pedro França, está em Amambaí negociando uma solução pacífica para o caso. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Amambaí, Wilson Otelo Nunes, as Polícias Militar, Civil e Federal só desarmarão os índios com ordem de Brasília.


