Agência Estado
De Brasília
Um bate-boca entre o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o índio Henrique Suruí, marcou a marcha realizada por cerca de 500 índios, que começou no centro de Brasília e terminou em um ato no auditório da Câmara dos Deputados, onde estava o senador. A discussão começou quando Suruí exigiu do senador a retirada de policiais militares das terras indígenas na Bahia. ACM não gostou e exigiu respeito. O incidente só terminou por causa da interferência da senadora Marina Silva (PT-AC).
Suruí, da Aldeia 7 de Setembro de Cacoal (RO), furou o bloqueio da segurança e foi até a mesa do presidente do Senado. Com arco e flecha na mão, além de exigir a retirada de policiais militares das áreas indígenas, ele pediu a aprovação do Estatuto do Índio. Irritado, dedo em riste, o índio protestou. ‘‘Eu não admito isso; eu vou falar e você vai me ouvir, e exijo respeito’’, disse, nervoso, o presidente do Congresso. Antes do incidente, os índios pediram a interferência de ACM para solicitar ao governador da Bahia, César Borges (PFL), a retirada dos policiais de suas terras.
A discussão não foi o único incidente da marcha. No percurso até o Congresso, os índios jogaram flechas no relógio comemorativo dos 500 Anos, instalado pela Rede Globo no Eixo Monumental, nas imediações da Torre de TV, de onde saiu a marcha. Quase todos, armados com flechas e bordunas, e pintados, carregavam faixas criticando as comemorações dos 500 anos.
No Congresso, os índios foram recebidos pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e uma comissão de deputados e senadores. Temer anunciou que seria votado, ainda na sessão de ontem, um recurso da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) permitindo levar ao plenário o Estatuto de Índio para votação.
Os índios querem que a Câmara aprove a proposta do estatuto feita com base nas sugestões enviadas pela Organização dos Povos Indígenas do Brasil. ‘‘Ali está o que a gente quer; o que a gente acha que é bom para nós’’, lembrou Nailto Pataxó. Estevinho Terena disse que os índios não admitem ‘‘outros 500 anos de sangue’’, acentuando: ‘‘Queremos mais dignidade e respeito, e o cumprimento da lei em relação aos índios’’.
O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Frederico Marés, voltou a criticar a Comissão dos 500 anos, presidida pelo ministro dos Esportes e Turismo, Rafael Greca, por ‘‘falta de sensibilidade’’. A comissão mandou destruir um monumento construído pelos índios na Coroa Vermelha, em Porto Seguro (BA), onde foi celebrada a primeira missa.No Congresso Nacional, manifestante fura bloqueio e discute com o presidente Antonio Carlos Magalhães, que exige respeito
Ed Ferreira/ Agência EstadoFLECHAS E BORDUNASO senador Magalhães se irrita com índio que pediu retirada de policiais militares de terras na Bahia; dedo em riste, ACM disse: ‘‘Eu não admito isso; eu vou falar e você vai me ouvir’’

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