Curitiba - Um grupo de cerca de 100 índios caingangues e guaranis invadiram uma área de uma faculdade particular de Curitiba no município de Piraquara, região metropolitana. Apesar de a ocupação ter acontecido no dia 1º de janeiro, os proprietários só deram conta dos novos moradores na última quarta-feira. Os indígenas dizem que invadiram o local porque querem uma área para construir uma aldeia turística, que resgataria a cultura deles e ainda atrairia turistas e renda.
A reserva natural ocupada já era bastante usada pelos índios como fonte de matéria-prima para o artesanato. ''Há mais de 20 anos que nós frenquentamos a área e nunca ninguém falou nada. Agora resolvemos reivindicá-la para um projeto que vai resgatar nossa cultura e nos tirar da marginalidade em que vivemos na Grande Curitiba'', explica o presidente da Associação Orccip-Curin, que organizou as famílias para invadir o local, o índio Kretã. Segundo o presidente da associação, os indígenas são discriminados na cidade e por isso não têm muitas oportunidades.
A associação existe desde abril e, segundo Kretã, foi fundada com o objetivo de cadastrar todas as famílias indígenas de Curitiba e região e criar projetos de resgate da cultura. ''Nós nos propomos a ir atrás de financiamento para a aldeia turística, mas precisamos de uma área e da ajuda de profissionais que possam formatar um projeto para apresentarmos para os bancos. É um jeito de nos auto-sustentarmos'', argumentou Kretã. Além da aldeia, os índios querem que seja criado o dia da cultura indígena, que seja construído um memorial em homenagem aos índios em Curitiba e também que os índios possam vender artesanato sem a fiscalização rigorosa da prefeitura da capital.
Em nota oficial, a direção das Faculdades Integradas Espírita, proprietária da área, afirmou que ''a reserva é da fundação da entidade e por isso contralada pela Promotoria Pública de Fundações, órgão estadual, e, por este motivo, não existem condições legais de venda ou doação''. A nota explica ainda que ''um dos motivos para a preservação e da incapacidade das terras em receber moradores é o Rio Itaqui, que cruza Piraquara e São José dos Pinhais, alimentando os mananciais de Curitiba''. A faculdade mantém na área uma escola rural gratuita que atende 180 crianças. A nota termina informando que ''se não houver condições de uma negociação pacífica, as medidas judiciais cabíveis serão buscadas''.
Os índios, que por equanto estão recebendo alimentos de entidades assistenciais, esperam negociar suas propostas. ''Só vamos sair daqui quando nos derem outra área para desenvolvermos nosso projeto'', finalizou Kretã.

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