Índios ganham casa de passagem em Londrina
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - A antiga central de moagem da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) foi transformada pela prefeitura em uma casa de passagem provisória para os índios. Localizado a 10 km do centro, próximo ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), na zona sul de Londrina, o antigo barracão e a sede ao lado foram transformados em um espaço que pode receber até 16 famílias. As primeiras chegaram ao local na quinta-feira. O espaço é usado para abrigar moradores de aldeias que vendem artesanato nas ruas ou precisam vir para a cidade por outros motivos por curtos períodos de tempo.
De acordo com a secretária municipal de Assistência Social, Télcia Oliveira, a mudança foi necessária por "uma série de fatores". "A área em que eles estavam antes era de preservação ambiental e alguns anos atrás uma chuva forte arrastou vários barracos que estavam por lá", destacou, fazendo referência ao espaço à margem da Avenida Dez de Dezembro. Para as crianças também existia a possibilidade de atropelamento, já que a antiga casa de passagem ficava ao lado de uma via rápida.
Atualmente duas famílias estão utilizando a nova casa de passagem. O representante do cacique João Cândido, da Reserva Apucaraninha, Pedro de Almeida, de 59 anos, destacou que ainda não há energia elétrica e faltam tanques onde as mulheres possam lavar a roupa. "Os banheiros não têm pias e a água precisa ser coletada em um balde", apontou. Segundo Almeida, o local é sossegado e as crianças podem brincar à vontade. A esposa dele, Otília de Almeida, de 55 anos, carregava balaios para vender na cidade. A maior dificuldade era passar por cerca de 1 km de estrada de terra. Ela reclamou que a via deveria ser asfaltada e mais iluminada. "Gostei da casa, mas para andar aqui é ruim", reclamou.
O espaço antigo ainda é ocupado por seis índios do Território Indígena Água Branca, que trabalham na construção civil. Eles afirmam que pretendem retornar para Tamarana na próxima segunda-feira. Valdir Menegildo, de 33 anos, que estava representando o cacique no local, disse que só não foi para a nova casa de passagem porque ainda não possui autorização do cacique para isso. Em outro ponto da cidade, a reportagem encontrou outro grupo de índios, nas proximidades do Centro Social Urbano da Vila Portuguesa. Segundo o representante do grupo, Vilson Lourenço, de 37 anos, ele e outras nove pessoas procuraram a antiga casa de passagem, mas foram impedidos de se instalar no local e encontraram no CSU da Vila Portuguesa o local ideal para permanecer durante o período de festas.
Télcia Oliveira afirmou que tem ciência de que esses grupos estão instalados fora da nova casa de passagem, mas disse que tudo foi acertado com os caciques e que todos terão de ir para a nova casa de passagem caso desejem retornar a Londrina.
Télcia destacou também que está buscando recursos junto à Fundação Nacional do Índio (Funai) para construção de uma casa de passagem permanente. "Seriam necessários R$ 800 mil. Eles ainda não sinalizaram que liberariam esse recurso", explicou. Enquanto isso, aponta Télcia, a secretaria deve providenciar a instalação de um tanque no local. Sobre a pavimentação do acesso, o coordenador dos distritos da Secretaria Municipal de Agricultura, José Luiz Vicente da Silva, afirmou que a condição da pista está razoável, já que está bem compactada. "Se for mexer agora pode deixar a pista mais instável", alertou. Silva disse também que a energia elétrica será restabelecida em uma semana.


