Belém, 21 (AE) - Portando flechas e espingardas, cerca de 400 índios Assurini, da Aldeia Trocará, no sudeste do Pará, estão bloqueando desde de segunda-feira (19) a Rodovia Transcametá, na altura do quilômetro 20, entre os municípios de Tucuruí e Cametá. Eles exigem que governo do Estado cumpra um acordo firmado há cinco anos, ainda na gestão do governador Jáder Barbalho (PMDB). Esse acordo, segundo o cacique Francisco Assurini, prevê a proteção do Estado contra invasão da reserva indígena por fazendeiros e madeireiros, além da construção de escolas, posto de saúde e recuperação da rodovia, hoje praticamente intrafegável devido aos atoleiros.
O cacique afirmou que nem Barbalho tampouco o governador que o sucedeu Almir Gabriel cumpriram o que está escrito nesse acordo. A devastação da reserva florestal e a caça indiscriminada de pequenos animais, dentro da área "por invasores brancos", garante, também estão provocando a revolta dos índios. "Eles estão matando nossos animais e roubando nossa comida. Isso já é muito abuso", protesta.
Cerca de 20 quilômetos da Rodovia Transcametá passam por dentro da reserva indígena. O protesto dos índios ganhou o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região. A Polícia Militar deslocou 20 homens de seu batalhão em Tucuruí para tentar liberar a rodovia, mas nada conseguiu. No início da tarde de hoje, os assurinis decidiram manter a estrada bloqueada. Eles exigem que o governo do Estado mande um representante até a rodovia para negociar e querem também a presença de um procurador da República. O secretário estadual de Transportes, Haroldo Bezerra, ficou de viajar no início da noite para tratar a liberação da estrada pessoalmente.

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