Curitiba - Um grupo de oitenta índios ocupou ontem de madrugada o prédio onde fica a sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Curitiba. É a segunda vez que o edifício é invadido. Os indígenas protestam contra o encerramento do serviço de transporte que atendia as aldeias em todo Estado. O contrato disponibilizava 35 veículos 24 horas por dia, sete dias por semana para transportar equipes multidiscipinares de saúde até as aldeias e fazer o translado de doentes das tribos até hospitais e postos de saúde.
Segundo o cacique Márcio Lourenço, uma das lideranças do protesto, desde o dia 25 de maio não há qualquer transporte disponível para os índios. ''As aldeias não possuem veículos nem telefones e dependem desse serviço para receber cuidados médicos'', conta. É o caso da aldeia da enfermeira Cleonice Pacheco Amorim, em Piraquara. ''Estou com uma paciente com pneumonia e outra com tuberculose que precisam de atendimento médico diário'', reclama. Segundo Cleonice, os dois doentes foram atendidos ontem de manhã depois que a prefeitura da cidade liberou um carro para que fosse feito o transporte.
O contrato que custa à Funasa R$ 327 mil por mês foi suspenso porque as verbas destinadas a manter o serviço foram contingenciadas pelo governo federal. ''Não temos como resolver isso por aqui porque é só a presidência da Funasa que tem poder para deliberar a liberação dos recursos'', explica Vinicius Realle Paraná, coordenador regional da Fundação. A Procuradoria da República conseguiu durante a manhã um mandado de reintegração de posse do prédio. ''Mas como conseguimos um acordo com o manifestantes não vejo necessidade de acionar a Polícia Federal'', disse Paraná.
No fim da manhã a coordenação regional do órgão se reuniu com os índios para discutir a ocupação. Os manifestantes concordaram em deixar que funcionários possam voltar ao trabalho e circulem pelo prédio sem impedimentos. Mas não irão deixar o local enquanto não houver uma solução para o transporte dos indígenas. Os índios liberaram a portaria do prédio e estão concentrados no 8º andar e no auditório da Funasa. ''A partir de amanhã nosso expediente estará normalizado'', aposta Paraná.
Já na BR-277, cerca de 500 índios fecharam totalmente a rodovia no quilômetro 476, no município de Nova Laranjeiras, Centro-Sul do Paraná. O protesto começou às 9h40 de ontem e só deveria terminar quando uma equipe da Funasa chegasse ao local. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os motoristas foram orientados a utilizar um desvio já que não há previsão de liberação das pistas. Os manifestantes também cobram a reativação do convênio que garantia o transporte dos doentes da aldeia.

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