Londrina- Cerca de 200 índios da região Norte do Estado se mobilizaram e liberaram as cancelas da praça de pedágio de Ortigueira (BR-376), em protesto contra projetos de lei que impedem a divisão de terras indígenas em todo o Brasil. A manifestação faz parte de um movimento nacional que fechou outras praças em todo o País. A previsão é que o protesto, envolvendo homens, mulheres e crianças caracterizados com roupas e pinturas indígenas, fosse encerrado no começo da tarde.
Da região Sul do País, três ônibus fretados e vários carros particulares garantiram o transporte dos índios até a praça de pedágio. Segundo o membro da Comissão Nacional de Política Indígena, Ivan Bribis Rodrigues, da Reserva Apucaraninha, o objetivo é chamar a atenção para uma questão de terras que preocupa a comunidade.
Dois projetos de lei que tramitam na Câmara dos Deputados impedem a divisão das terras. Um deles, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 038/99 do senador Mosarildo Cavalcanti, propõe transferir ao Senado a competência para aprovar a demarcação das terras indígenas. Hoje a demarcação é competência da Fundação Nacional dos Índios (Funai). ''Não queremos ficar à mercê do Legislativo. Achamos que desta forma seremos prejudicados''.
O manifesto foi definido há um mês, depois do julgamento da divisão de terras da aldeia Raposa Terra do Sol, em Roraima, última terra indígena a ser demarcada no Brasil. A maior preocupação, de acordo com Rodrigues, é que nos próximos 20 anos não haja mais terra para os índios. ''Aqui na região sul temos uma questão muito difícil. Nossas áreas estão diminuindo e as outras gerações poderão ficar sem terra''.
Na Reserva Apucaraninha, segundo Rodrigues, documentos comprovam que a área tinha 60 mil hectares e foi reduzida a seis mil hectares. A população indígena no local é de 1,7 mil índios, grande número de crianças e adolescentes. ''Hoje quase 80% das áreas indígenas são de preservação. Mesmo com o dinheiro que recebemos da Copel (royalts) não conseguimos investir no local porque a área precisa ser preservada''.
O protesto também chama a atenção para a construção da barragem no Rio Tibagi. ''Somos desfavoráveis à construção da Usina de São Jerônimo da Serra porque a obra vai inundar mais de 400 hectares de terra da maior área de preservação do Norte do Estado''. Hoje, no Paraná são 15 mil índios. Na região norte do Estado, a população indígena é de 3 mil pessoas, entre caingangues e guaranis. Ainda pela manhã, a Rodonorte (concessionária que administra a rodovia) entrou com pedido de reintegração de posse.
Por volta das 15 horas, o grupo ocupou a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina. Segundo Rodrigues, os índios reivindicam a nomeação de um administrador regional para a entidade. ''Já estamos há cinco meses com uma administração interina. As lideranças já indicaram um substituto (o indígena Mario Jacinto), que ainda não foi nomeado'', explicou. De acordo com Rodrigues, o objetivo da manifestação é pressionar a Funai em Brasília para que a portaria saia o mais rápido possível.(Colaborou Caroline Vicentini)

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