Índios fazem vigília em estradas para evitar novas invasões
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de novembro de 1998
Luiz Carlos Dias Junior Especial para a Folha 
Preocupados em impedir que novas invasões de terra aconteçam em suas áreas na região Centro-Oeste do Estado, os índios caingangues da reserva de Marrecas dos Índios, na divisa entre Guarapuava e Turvo (sudoeste do Estado), estão realizando desde o final de semana, vigílias nas duas estradas secundárias que dão acesso à reserva.
Segundo o administrador do escritório regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Guarapuava, Vladinei Tadeu da Silva, foram feitas cercas nos dois acessos, além de rondas para precaver qualquer nova invasão. O clima está mais calmo agora, ainda mais porque uma equipe da Polícia Federal virá para Guarapuava para acompanhar o inquérito sobre a invasão, afirmou o administrador.
O clima chegou a ficar muito tenso na região após o chefe da reserva das Marrecas e membro do Conselho Indígena do Paraná, o caingangue Pedro Cornélio Seg-Seg, afirmar que colocaria mais de 1,5 mil índios no local caso houvesse uma outra invasão na área, fato que não ocorreu.
Os incidentes começaram no dia 3, quando um grupo de pessoas invadiram a área da reserva, que conta com 16.558 hectares. Eles alegaram direito de propriedade por herança. Os índios ficaram inconformados e interceptaram os invasores. No confronto, nove pessoas ficaram feridas, inclusive uma mulher de 80 anos.


