Índios fazem ritual de amor à natureza
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segunda-feira, 20 de março de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os povos indígenas, representados na COP-8, roubaram a cena na cerimônia de abertura da conferência, ontem, ao realizarem um ritual de bênção ao homem branco e de amor à natureza. Eles têm interesse particular que as discussões aconteçam entre ''mentes e corações abertos'', já que um dos principais assuntos do encontro é a repartição de benefícios entre comunidades locais pelo uso de conhecimentos tradicionais associados à preservação da biodiversidade e avanços na cura de doenças, por exemplo.
O ritual envolveu representantes de tribos de vários países, mas o grupo maior era de índios Karajás, que vivem na Ilha do Bananal, no Tocantins. Aproximadamente, 200 membros de comunidades indígenas estão participando da COP-8, que se estende até o dia 31, no ExpoTrade, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
O grande desafio das delegações dos países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) é propor ações para redução da taxa de perda da biodiversidade e manter o equilíbrio ecológico diante do desenvolvimento econômico.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi empossada, ontem, como presidente da COP-8. Ela deixou claro, em seu discurso, que sua maior preocupação é com acordos multilaterais ambientais que acabam ficando no papel, lembrando que a CDB foi proposta na Rio-92 e os avanços para a redução da perda de biodiversidade, nos últimos anos, foram inexpressivos. O Brasil irá presidir os trabalhos no lugar da Malásia onde aconteceu a COP-7 até a próxima conferência, em 2008.
Marina destacou que o Brasil já vem desenvolvendo ações que estão em consonância com as metas para 2010. Ela citou a criação de 15 milhões de hectares em unidades de conservação, a demarcação de 9 milhões de hectares de terras indígenas e a redução da taxa de desmatamento da Amazônia em 31%.
Afinado com o discurso da ministra, o secretário-executivo da CDB, Ahmed Djoghlaf afirmou que a palavra de ordem na COP-8 é ''implementação''. Isso, no entanto, não irá valer para as discussões sobre a repartição de benefícios. Na reunião preparatória sobre o assunto, em Granada, na Espanha, no início do ano, foi elaborado um texto proposta, que apresenta pontos não consensuais e, portanto, o indicativo é de que o debate não será conclusivo na atual conferência.
Na abertura dos trabalhos da COP-8, os representantes dos grupos regionais de países expuseram suas expectativas em relação aos debates. A China, por exemplo, defendeu que a direção futura da CDB seja de como usar com eficácia os recursos limitados. As delegações estão dividas em dois grupos de trabalho: um que discute a repartição de benefícios e outro a biodiversidade insular.
Até ontem, delegações de 173 países cerca de 3 mil pessoas , haviam se inscrito na COP-8. A expectativa é de que o número ultrapasse 4 mil participantes, o que seria recorde de público na conferência. A delegação brasileira tem 160 representantes, 11 deles são diplomatas que participarão diretamente como negociadores.


