Índios de sete reservas atendidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina reforçaram o movimento ontem em protesto contra o decreto 7.056 assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva mês passado. Além de manter a Avenida Celso Garcia Cid (Centro) interditada durante todo o dia, o grupo de 200 índios percorreu as ruas da área central da cidade, realizaram a dança da guerra e queimaram dois bonecos de pano, um com uma foto do presidente Lula e outro simbolizando o presidente da Funai, Márcio Meira.
Desde que o decreto foi assinado, índios de todo país têm protestado contra a medida. Em Londrina, pelo menos 250 índios caingangues, xetás e guaranis estão acampados na sede do órgão há uma semana. Na passeata de ontem, homens, mulheres e crianças participaram do ato com pinturas do rosto. Levavam arcos, flechas e lanças, símbolo da ''guerra''. Apesar disso, o protesto foi pacífico.
O administrador da Funai em Londrina, índio guarani Mário Jacintoh, disse que os índios ameaçam atear fogo na torre de transmissão de energia localizada em São Jerônimo da Serra, dentro da aldeia Barão de Antonina. Segundo ele, outras aldeias no Estado continuam se articulando para dar continuidade aos protestos. ''Sentimos que é um desrespeito o que estão fazendo com os índios. Até hoje nenhum representante do Governo nos atendeu em Brasília. Não vamos parar até que o presidente Lula se reúna com essas lideranças para conversar sobre esse decreto'', disse.
Na semana passada, o grupo fechou a praça de pedágio da concessionária Econorte instalada na Rodovia BR-369 no município de Jataizinho. Todas as cancelas foram liberadas por cerca de seis horas. A reportagem da Folha não conseguiu contatar a assessoria de imprensa da Funai em Brasília. Não há funcionário do órgão no prédio. Tanto na sede do Distrito Federal como em Curitiba, só há índios nos departamentos.
Em esclarecimento ao site da Associação dos Servidores da Funai (Ansefunai), o presidente da Funai, Márcio Meira, diz que a reestruturação do órgão contará com a instalação de unidades em áreas estratégicas que, segundo ele, ''reforçará a presença do Estado em terras indígenas''. Conforme a declaração, não haverá extinção de serviços, mas a ampliação da capacidade institucional da Funai.
O Juízo Federal de Pato Branco deferiu pedido do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), para reintegração de posse de dois trechos da BR-373, localizados aos quilômetros 440 e 446 , na região Chopinzinho e Coronel Vivida, sudoeste do Paraná, bloqueado por um grupo de indígenas, desde o dia 14 de janeiro, em protesto à reestruturação da Funai.

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