Índios fazem empresário refém em hotel no Pará
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quinta-feira, 08 de maio de 2003
Agência Estado 
Belém - Cerca de 30 índios caiapós da aldeia Aukre, em Ourilândia do Norte, invadiram na manhã de ontem o quarto de um hotel em Tucumã, no sul do Pará. Eles prenderam, amarraram com cordas e mantêm refém o empresário Divino Bento de Araújo, a quem acusam de não pagar a última safra de castanha extraída da reserva.
Os caiapós afirmam ter cansado das promessas do empresário de pagar. No final do ano passado, Divino comprou 300 sacas de castanha por R$ 7.600. A produção seria vendida às exportadoras de Belém. O pagamento pela castanha acabou depositado num supermercado de Tucumã, para quem o empresário deve R$ 90 mil. Revoltados, os caiapós rejeitaram a intermediação feita por agentes da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Marabá para que Divino fosse solto.
Até o final da tarde os caciques mantinham o empresário preso dentro do quarto do hotel e exigiam o pagamento das castanhas para libertá-lo.
Em Redenção, também no sul do Pará, cerca de 70 índios caiapós de sete aldeias da região invadiram a sede da Funai, cobrando do órgão providências contra cinco funcionários acusados de desviar dinheiro que deveria ter sido repassado às comunidades indígenas.
Armados, eles ameaçam queimar a sede do órgão. O repasse da verba é feito mensalmente para 12 aldeias caiapós onde vivem 4.500 índios. Por causa do desvio de recursos, os caciques afirmam que o posto da Funai em Redenção deve aos comerciantes da cidade mais de R$ 600 mil. Nenhum dos servidores foi encontrado para se defender das acusações.


