Curitiba - Um grupo de índios ocupou ontem pela manhã a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Curitiba. Logo que chegaram, eles pediram que os funcionários do órgão se retirassem e se instalaram no local. Por volta das 7 horas, haviam cerca de 50 índios ocupando a sede da Funai. No início da tarde já haviam aproximadamente 70, e a previsão de um dos ocupantes, o presidente do Grupo de Apoio aos Povos Oprimidos (Gapo), Carlos de Paula, era de que, à noite, o grupo chegasse a 200 índios.
Segundo Carlos de Paula, os índios reclamam de preconceito e hostilidades por parte da Funai, e também suspeitam de improbidade administrativa. ''Nós queremos o afastamento dos administradores atuais, para que o Ministério Público (MP) federal investigue as irregularidades, e queremos também a instituição de uma comissão administrativa temporária, composta pelo Gapo e por etnias chokrens, caigangues, guaranis, tupi-graranis e xucuru-kariris, junto ao MP federal'', explicou Carlos de Paula. Ainda, segundo ele, os carros da Funai estariam sendo usados para outras finalidades.
Carlos de Paula disse que acionou o MP federal e pediu a presença da procuradora da República, Antônia Lelia Krueger, para uma reunião na qual os indígenas apontariam as irregularidades e pediriam a instalação da Comissão das Comunidades Indígenas dos Estados do Paraná e Santa Catarina, para administrar o órgão temporariamente.
A Folha entrou em contato com o MP federal, que confirmou o pedido dos índios, mas foi informada que a procuradora não iria se pronunciar antes de conversar pessoalmente com Getúlio Gomes da Silva, administrador regional da Funai, para agendar a reunião solicitada pelos índios. Getúlio Gomes da Silva está viajando. Segundo Carlos de Paula, ele está em Santa Catarina. A Folha também tentou contato com algum representante da Funai, mas não havia ninguém na sede, apenas índios.
Carlos de Paula informou que o grupo de índios só deverá desocupar o local depois que ocorra a reunião e que sejam apontadas soluções para as irregularidades listadas pelos índios. ''O Getúlio já ligou para cá me ameaçando de morte, mas nós só iremos sair daqui com alguma solução apontada'', acusou.

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