Pintados para guerra e empunhando bordunas, cerca de 150 índios, a maioria xavantes de Mato Grosso, realizaram ontem uma manifestação na sede da Funai, em Brasília e, em um gesto simbólico, expulsaram do prédio três diretores e o chefe de gabinete da presidência. Eles pedem a saída de diretores e assessores e a solução para problemas como a alta taxa de mortalidade infantil. Antes de pôr os diretores para fora, os índios reuniram funcionários da Funai no auditório da fundação.
Acompanhados por 17 lideranças das seis aldeias das reservas Nova Xavantina e Barra do Garça, os índios interromperam a rotina da Funai. Por volta das 9h30, interromperam uma reunião do chefe de gabinete, Celso Carelli, e o obrigaram a ir para o auditório. Os xavantes apóiam o atual presidente da Funai, Sulivan Silvestre, mas acusam alguns diretores de não estarem interessados em resolver os problemas. ‘‘Por incompetência ou falta de interesse, eles não levam ao presidente as reivindicações que são feitas nas regionais’’, acusou o líder xavante Cipassé.
Foram expulsos do prédio o diretor do Departamento de Assistência, Otácilio Antunes, o administrativo, Amilton Figueiredo e a diretora do Departamento de Saúde, Ana Costa. ‘‘Estamos fazendo uma manifestação pacífica’’, afirmou Cipassé. ‘‘Mas ficaremos aqui até que se resolva o problema’’. O líder reclama principalmente dos problemas de saúde. Ele estima a morte de dez entre cada 25 crianças que nascem nas seis aldeias. ‘‘A pneumonia ataca as crianças e agora também os velhos’’, contou. ‘‘Estamos totalmente abandonados, sem um programa de saúde para a área’’, disse Cipassé.
Os índios também não querem a construção da hidrovia Araguaia-Tocantins. ‘‘Ela passa pelo Rio das Mortes, que faz fronteira com duas aldeias e vai acabar com caça e a pesca na região’’, explicou. O presidente da Funai encontrava-se ontem no Espírito Santo, em visita a uma comunidade tupiniquim (leia texto abaixo). De acordo com o chefe de gabinete da Fundação, ele pediu um relatório sobre a situação e as reivindicações dos xavantes para tomar as decisões quando voltar, provavelmente hoje.

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