Belém, 28 (AE) - Os índios xicrin, da aldeia Bacajá, em Altamira, no sudoeste do Pará, realizarm hoje um novo protesto na cidade para exigir que a Fundação Nacional do Índio (Funai) volte a fazer o atendimento médico e prestação de serviços de saúde às nove tribos da região. Eles não aceitam que o atendimento seja feito pela Fundação Nacional de Saúde (FNS), que há dois meses assumiu a tarefa nos 34 distritos indígenas em todo o País.
O Distrito Indígena da FNS em Altamira é o único no Brasil ainda sem diretor, mas os xicrin já decidiram: querem na chefia do órgão a enfermeira da Funai, Ednair Marques de Oliveira. Segundo o cacique Maradona, líder dos xicrin, a enfermeira Ednair Oliveira "conhece os problemas de saúde das tribos da região, é competente e rápida para tomar decisões". Para ele, a FNS está "despreparada" para realizar o trabalho, além de ser um órgão "cheio de burocracia".
Assim que chegaram em Altamira em dois aviões bimotores fretados, os 30 índios pintados para a guerra e armados com arco e flecha, seguiram direto para a Casa do Índio. Mandaram chamar o prefeito do município, Claudomiro Gomes (PSDB), responsável pelo convênio com a FNS para a prestação de serviços médicos nas aldeias, afirmando que não pretendiam voltar às suas aldeias sem uma resposta. À certa altura da reunião, da qual participavam Gomes, dirigentes da FNS e da Funai, um dos caciques, muito irritado, atirou uma flecha contra a parede da sala. Quem estava no local ficou assustado.
O administrador da Funai em Altamira, Benigno Pessoa Marques, tranquilizou a todos, explicando que aquilo fazia parte da cultura dos xicrin. "Ele demonstrou insatisfação com o rumo das coisas. Essa foi a maneira que ele teve para se expressar". Após três horas de reunião, nenhuma solução foi encontrada para o impasse. "Nós vamos voltar a nos reunir com a FNS e a Funai para encontrar um denominador comum que leve em conta a saúde dos nossos índios", explicou o prefeito. A coordenação da FNS em Belém deve manifestar na próxima semana sua posição no caso.
Marques foi incumbido pelos índios de ficar na cidade "cobrando rapidez na solução". Ele entende que a melhor solução seria entregar a direção do Distrito Indígena a uma pessoa da confiança dos índios. "Temos de encontrar uma saída e evitar mais problemas".

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