A Aracruz Celulose ofereceu ontem ajuda de R$ 3 milhões, por dez anos, e 2.500 hectares de sua propriedade para aos índios tupiniquins e guaranis interromperem a ocupação das terras da empresa, iniciada na quarta-feira, dia 11, no município de Aracruz, no Espírito Santo. Os índios querem ampliar sua reserva. O deputado estadual José Otávio Baiôco (PT) apóia a ‘‘autodemarcação’’ indígena e afirmou que a proposta deve ser recusada.
‘‘Tenho certeza de que os índios vão continuar a demarcação’’, disse Baiôco. ‘‘Se eles aceitarem agora não vão conseguir o que querem por um bom tempo’’, avaliou o deputado. Os índios vivem em 4,4 mil hectares em Aracruz e pediam mais 13 mil hectares para a reserva no início da invasão. Durante as negociações com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Sulivan Oliveira, baixaram a proposta para 7 mil hectares.
A proposta da Aracruz foi levada por Oliveira em reunião com os líderes indígenas, em Vitória, da qual participou o governador Vitor Buaiz (PV). Os R$ 3 milhões seriam repassados em dez anos, para melhorar as condições de vida das duas tribos. Buaiz propôs a formação de uma comissão com as partes envolvidas para ir com ele a uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda nesta semana.
Os índios vão analisar as duas propostas. Ontem, eles continuaram ampliando seus limites dentro das terras da Aracruz. Os tupiniquins e guaranis esperavam demarcar um perímetro de 26 quilômetros em torno da divisa oficial da reserva.
O aumento da reserva em 2.500 hectares já havia sido determinada pelo ministro da Justiça, Íris Resende, baseado em levantamento feito pela Funai em 1979 apontando para a necessidade de aumento da reserva. Os índios e integrantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) afirmam que Resende desrespeitou parecer da própria Funai, que, em estudos feitos em 1994, apontou para a necessidade de mais 13 mil hectares. Oliveira admitiu que o último estudo pedia maior expansão. Mas o ministro preferiu conceder apenas 2,5 mil hectares por ter dúvidas sobre as condições de vida dos índios, que mudaram entre 1979 e 1994.

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