Sérgio Cardoso/Gazeta de Vitória-AE
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Luta pela terraAs tribos tupiniquim e guarani estão demarcando 10.570 hectares ao redor de aldeias, onde há plantações de eucaliptos da Aracruz Celulose Pelo menos 250 índios tupiniquins e guaranis e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam na madrugada de ontem áreas da fábrica Aracruz Celulose, em Aracruz , norte do Espírito Santo. Eles estão demarcando 10.570 hectares de terras ao redor de aldeias próximas à cidade, onde há plantações de eucaliptos da empresa.
Os manifestantes chegaram ao local armados de lanças, facões e foices e acompanhados de agentes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Eles montaram acampamento e prometeram permanecer nas áreas ocupadas. Até o início
da noite a polícia não havia registrado problemas no local.
A demarcação ocorreu por que as duas tribos não concordaram com a decisão do Ministério da Justiça de determinar a ampliação das terras indígenas na região em apenas 2.571 hectares e não nos 13 mil pretendidos pelos índios. Antes da medida, os índios ocupavam uma área de 4.491 hectares. No último dia 6 a Aracruz obteve na 3ª Vara da Justiça Federal uma liminar para impedir a ação das duas tribos e pedir ‘‘proteção judicial’’ de suas terras. ‘‘Os índios e os sem-terra estão agindo em conjunto e parecem ter o mesmo objetivo’’, disse o major Jones Mattos, subcomandante da Polícia Militar de Aracruz.
De acordo com Mattos, a previsão é a de que o número de manifestantes chegue a 600 até o fim de semana, quando o rei Gustavo, da Suécia, visitará a cidade para a inaugurar a empresa química Bragussa. ‘‘Estamos acompanhando à distância a movimentação e não temos autorização para interferir, exceto em caso de graves distúrbios que ponham em risco a ordem da cidade’’, disse o major. Ele contou que moradores pobres do povoado de Irajá, localidade vizinha à área, estão se juntando aos índios e aos sem-terra.
Na avaliação da Aracruz, a invasão está sendo coordenada pelo MST e conta com a adesão de uma pequena parcela de índios. O gerente de Meio Ambiente da empresa, Carlos Alberto Roxo, descartou o uso de violência para a desocupação da área. Ele assegurou que a Polícia Federal não será acionada e que a Aracruz não se envolverá diretamente com os invasores, ‘‘embora vá fazer cumprir a lei’’. Em carta distribuída ontem e encaminhada ao Ministério da Justiça, os índios afirmam que sempre reivindicaram as terras, invadidas pela Aracruz Celulose. Segundo representantes dos guaranis e tupiniquins, a Fundação Nacional do Índio (Funai) não fez nenhum estudo para reconhecer o direito dos índios e que a proposta de aumento da área em 2.571 hectares foi feita em dez dias.

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