Uma área de 511 hectares é motivo de disputa entre índios guaranis e agricultores da região de Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio). De um lado, índios defendem a legitimidade de posse da terra por meio de comprovações históricas. Do outro, agricultores usam as certidões de compra para exigir a desapropriação da área, ocupada por 123 pessoas de 22 famílias indígenas desde 4 de dezembro de 2005.
Para chamar a atenção da população para o problema, agricultores da região fizeram ontem um manifesto exigindo direito de posse aos pequenos produtores rurais atingidos pela determinação do Ministério da Justiça que cedeu a área aos guaranis.
Afonso Kaoru Inoue, médico de 49 anos, estava indignado com a ''invasão'' em sua propriedade rural. Ele mostrou documentos que comprovam a aquisição da área em 2001. ''É o suor da minha vida que está lá. A lei da propriedade deve prevalecer, por isso eu vou lutar para ficar, em nome de todos os agricultores desse país''.
Comerciantes apoiaram a manifestação que reuniu cerca de 300 pessoas. Vanderlei Teixeira destacou a importância da agricultura para a economia local. ''A cidade depende quase que exclusivamente da produção agrícola. Com a saída destes agricultores aqui, perde o comércio, perde todo mundo'', disse.
Apesar da área em questão fazer parte do município de Abatiá, os moradores frequentam muito mais o comércio de Santa Amélia, já que as propriedades ficam a oito km do centro da cidade e 26 km do centro de Abatiá.
Para o prefeito de Santa Amélia, Roderjan Luiz Inforzato, a desapropriação das terras pode causar problemas sociais para a região, devido à baixa indenização que o governo federal deve pagar aos proprietários rurais. ''As famílias retiradas da terra vão ter que viver do subemprego aqui mesmo e até nos grandes centros. Com a indenização não poderão nem sequer abrir um pequeno comércio ou comprar um terreno na cidade'', reclamou.
O prefeito teme que a cessão dos 511 hectares para os índios guaranis abra precedente para que outras áreas sejam desapropriadas, atingindo até quatro mil hectares na região. ''Isso reduziria drasticamente a arrecadação de impostos no município, acabaria com a cidade'', lamenta Inforzato, informando que 40% da população de pouco mais de quatro mil habitantes vive na zona rural.
Apesar de lutar pela posse das terras ocupadas pelos índios, os agricultores de Santa Amélia defendem o bom entendimento entre as duas partes, deixando que a Justiça resolva o caso. José Iran de Oliveira conta que os moradores convivem pacificamente com os guaranis há mais de 50 anos, fazendo a cidade se misturar entre brancos e índios. ''Existe um respeito mútuo. Estamos defendendo nossa terra, assim como eles. Os dois lados querem justiça, e é a Justiça que vai definir isso de uma forma pacífica, sem violência''.

mockup