Índios denunciam turismo clandestino no Parque do Xingu
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terça-feira, 31 de outubro de 2000
Agência Estado Do Rio 
Representantes das treze aldeias do Parque Indígena do Xingu denunciaram ontem, em entrevista no Museu Nacional, a invasão de sua reserva por turistas brancos. As crianças não conseguem nunca ficar curadas da gripe, afirmou o diretor do parque, o índio Pirakumã, da tribo Yawalapiti. Além disso, segundo ele, os brancos não têm um comportamento condizente com o local, oferecendo presentes, pedindo peças de artesanato e até poluindo. Não estamos preparados para receber turistas.
Os índios não sabem dizer quantos visitantes ilegais o parque recebe mensalmente. Oficialmente, as visitas deveriam ser autorizadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que só permite a entrada no parque de pessoas com boa saúde, vacinadas e devidamente acompanhadas de um guia. Mas as pessoas acabam entrando irregularmente ajudadas, muitas vezes, pelos próprios índios, contou Pirakumã. No parque, que tem 2,8 milhões de hectares, vivem 1.700 índios.
O diretor do parque denunciou ainda o desmatamento de áreas em torno do parque e a poluição dos rios causadas pelas populações brancas que moram na divisa da reserva. As nascentes dos rios ficam nas áreas brancas e, quando chove, as águas chegam poluídas, explicou Pirakumã.


