Representantes das treze aldeias do Parque Indígena do Xingu denunciaram ontem, em entrevista no Museu Nacional, a invasão de sua reserva por turistas brancos. ‘‘As crianças não conseguem nunca ficar curadas da gripe’’, afirmou o diretor do parque, o índio Pirakumã, da tribo Yawalapiti. Além disso, segundo ele, os brancos não têm um comportamento condizente com o local, oferecendo presentes, pedindo peças de artesanato e até poluindo. ‘‘Não estamos preparados para receber turistas.’’
Os índios não sabem dizer quantos visitantes ilegais o parque recebe mensalmente. Oficialmente, as visitas deveriam ser autorizadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que só permite a entrada no parque de pessoas com boa saúde, vacinadas e devidamente acompanhadas de um guia. ‘‘Mas as pessoas acabam entrando irregularmente ajudadas, muitas vezes, pelos próprios índios’’, contou Pirakumã. No parque, que tem 2,8 milhões de hectares, vivem 1.700 índios.
O diretor do parque denunciou ainda o desmatamento de áreas em torno do parque e a poluição dos rios causadas pelas populações brancas que moram na divisa da reserva. ‘‘As nascentes dos rios ficam nas áreas brancas e, quando chove, as águas chegam poluídas’’, explicou Pirakumã.

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