Belém, 06 (AE) - Os oito mil índios mundurucus que vivem em cem aldeias dos municípios de Itaituba e Jacareacanga, no oeste do Pará, declararam guerra ao atendimento prestado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), definido por eles como "péssimo". Segundo os caciques Vicente Isaô e Amâncio Icó, seis índios já morreram desde julho. De acordo com eles, o índice de doenças na tribo tem aumentado, porém, os índios abandonados pela Funasa. "Seis índios já morreram desde julho"
denunciam os dois caciques, acrescentando que as doenças mais comuns são hepatite, tuberculose e malária.
Os doentes em estado grave são transportados de avião ou barco para Itaituba e Jacareacanga, onde enfrentam "falta de leitos e de medicamentos", afirmam. Para Isaô e Icó, a melhor coisa que a direção da Funasa em Brasília poderia fazer seria devolver à Fundação Nacional do Índio (Funai) a tarefa de cuidar da saúde dos índios. O chefe do posto da Funai em Itaituba, Walter Azevedo, chama de "descaso e irresponsabilidade", a atuação da Funasa nas aldeias dos mundurucus. "O que ela faz é só remover de avião os doentes e isso nunca foi promoção de saúde". Funasa - Em Brasília, o coordenador de Saúde Indígena da Funasa, Welington Muniz Ribeiro, informou que o órgão deve assinar, nos próximo dias, convênio no valor de R$ 2,072 milhões com a prefeitura de Jacareacanga para a contratação de agentes de saúde, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e dentistas, para atuarem nas aldeias dos mundurucus. "Isso nunca foi feito antes pela Funai, mas agora esperamos, com isso, resolver o problema".

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