O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, Marcos Rolim, participou ontem de uma assembléia dos índios de Roraima (norte do Brasil) durante a qual recebeu denúncias de abusos sexuais contra mulheres indígenas cometidas presumivelmente por soldados do exército brasileiro.
Segundo informação dada pelo Conselho Indígena Missionário (Cimi, ligado à Igreja progressista), Rolim quis ouvir diretamente as denúncias efetuadas em novembro passado por dois chefes da tribo ianomâmi. Eles garantem que soldados de um pelotão de fronteira situado dentro da área indígena estão forçando as índias a manter relações sexuais com eles em troca de comida e bebida.
Cerca de 400 índios estão participando desta assembléia, na qual também deve ser decidido o local onde será instalado outro pelotão do exército nesta região de fronteira com a Venezuela. O presidente do Tribunal Regional Federal de Roraima, Fernando da Costa Tourinho Neto, concedeu duas semanas aos povos indígenas para que estabeleçam um lugar para este quartel, apesar da oposição dos índios a qualquer presença militar na região.
Segundo os índios, a presença do Exército na zona reduz a terra indígena e só produz conflitos, assassinatos além da perda de identidade.
Dirigentes dos pelotões de fronteira do Exército brasileiro, cujos soldados permanecem isolados durante meses em plena selva, declararam recentemente que sua relação com os índios das reservas era muito boa, que são os melhores guias e que se mantêm alertas ante a presença de invasores na região.

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