Itajaí, SC, 21 (AE) - Cerca de 150 índios guarani das aldeias Pindoty, Tarumã, Piraí e Laranjeiras, no norte de Santa Catarina, exigem indenização da Petrobrás por causa da passagem do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) próximo a suas aldeias. Lideranças indígenas e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Estado já enviaram um documento ao Banco Mundial, em Brasília
denunciando a situação. Os guarani querem a indenização em terrenos.
Segundo o representante do Cimi em Santa Catarina, Clóvis Antônio Brighenti, os índios pedem, no mínimo, os mesmos benefícios oferecidos para aldeias de Mato Grosso do Sul, São Paulo e três na região metropolitana de Florianópolis. São quase R$ 1,1 milhão acertados com o governo federal para projetos de infra-estrutura nas comunidades indígenas.
Brighenti explica que para as aldeias beneficiadas da região de Florianópolis estão previstos R$ 120 mil. De acordo com ele, um estudo feito há dois anos pela Petrobrás, Fundação Nacional do Índio (Funai) e outras entidades definiu indenizações para aldeias que estivessem a menos de 30 quilômetros da tubulação do gás natural boliviano. No norte do Estado, o representante do Cimi conta que o gasoduto vai passar a cerca de 15 quilômetros das comunidades indígenas.
O assessor de meio ambiente do Serviço de Engenharia da Petrobrás, em Curitiba (PR), Valter Shimura, argumenta que na época em que foi feito o estudo sobre as áreas indígenas no trecho entre Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Porto Alegre (RS) havia no norte de Santa Catarina apenas pequenos grupos de índios, que, por isso, não teriam sido caracterizados como aldeias. Isso explicaria o fato de terem ficado fora da indenização.
Os índios do norte do Estado estão na região há quase 15 anos, mas ainda têm problemas com a demarcação de terras. Com a indenização, eles pretendem conseguir terrenos onde possam delimitar suas áreas. O gasoduto Brasil-Bolívia, um investimento de cerca de R$ 3,5 bilhões, deve entrar em operação no final de outubro deste ano.

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