Brasília, 21 (AE) - Líderes indígenas de 108 etnias criaram, em Brasília, um novo órgão para defender seus direitos: o Conselho Nacional dos Povos Indígenas, apesar de existir estrutura semelhante na Fundação Nacional do Índio (Funai). A aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, a reestruturação da Funai e o combate às brigas internas são as metas prioritárias dos dirigentes do conselho, empossados hoje. O Estatuto do Índio
que tramita há cinco anos no Congresso, prevê a demarcação das áreas indígenas de todo o País e estabelece novas políticas de educação, saúde e de proteção aos índios brasileiros.
"Não queremos dinheiro vivo, mas respeito aos povos indígenas", avisa o secretário do recém-criado Conselho, álvaro Tucano, da etnia tucano do Amazonas. Segundo ele, a entidade articula para 15 de agosto uma audiência com o ministro da Justiça, José Carlos Dias. Nesse encontro serão entregues as reivindicações do Conselho, em que a reestruturação e o aumento do orçamento da Funai são destaques. O cacique Megaron Txukaramãe, da etnia Caiapó, do Mato Grosso, foi eleito presidente do Conselho Nacional dos Povos Indígenas.
Segundo álvaro Tucano, o Conselho dos Povos Indígenas atuará buscando parcerias com os Estados, municípios, empresas privadas e entidades humanitárias nacionais e internacionais para criar meios de matar a fome dos índios brasileiros, principalmente na Amazônia. "Nossa principal luta é sensibilizar as autoridades para a gravidade da questão indígena", explica o cacique Megaron, que tem um encontro agendado com o presidente a Funai, Márcio Lacerda. A entidade quer reunir-se ainda com os ministros da Saúde, José Serra, e o da Educação, Paulo Renato Souza, para expor as questões emergenciais e as prioridades dos índios.
O Conselho quer contribuir também com o governo federal na formulação de uma nova política indigenista. Para isso, a entidade irá promover seminários e conversas com sertanistas, indigenistas, antropólogos e militantes do indigenismo para coletar informações destinadas a mudar a realidade indígena brasileira. "É inadmissível que os índios continuem morrendo à míngua", diz cacique álvaro Tucano, lembrando que o País tem hoje 350 mil índios divididos em 217 etnias.

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