Londrina – As celebrações do Dia do Índio, que ocorrem amanhã em todo o País, deverão ser conduzidas em tom de protesto. A semana foi de mobilização e, na última quinta-feira, dezenas de índios ocuparam o plenário da Câmara dos Deputados contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 que transfere do governo federal para o Congresso o poder de demarcação de terras indígenas.
Pelas redes sociais, a representante dos povos indígenas no Brasil, Sonia Guajajara, repudiou a mudança proposta, que submete ao Congresso a aprovação das demandas encaminhadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). "O interesse próprio não pode ser maior que o respeito aos povos originários deste país. Os parlamentares devem assegurar os direitos e a memória de nossos ancestrais".
Integrantes de entidades de defesa dos povos indígenas consideram a proposta um retrocesso. Para Jackson Lopes Santana, coordenador da Regional Sul do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a PEC é um retrocesso na luta pela questão das terras. "Há uma clara articulação da bancada ruralista para assumir esta responsabilidade, o que representa uma grave ameaça aos direitos dos povos indígenas", argumentou o coordenador da entidade indigenista ligada à Igreja Católica.
Segundo Santana, sem a garantia de seus territórios tradicionais, os índios vivem em total situação de abandono. Ele cita situações de conflitos em virtude das pequenas áreas habitadas por estas comunidades. De acordo com levantamento do Cimi, 616 índios foram assassinados no Brasil entre 2003 e 2013, uma média de 56 mortes por ano. "São números assustadores, resultado da convivência nada pacífica com a população não índia, muitas vezes por pressão para que os índios deixem as terras ocupadas", relatou.
Do total de mortes registradas pelo estudo no período de uma década, 55% ocorreram no Mato Grosso do Sul, líder no ranking. Santana não soube informar até o fechamento da edição o total de mortes no Paraná, mas informou que, em 2013, último ano abrangido pelo levantamento, dois índios foram assassinados no Paraná. Em abril, uma criança caingangue foi sequestrada da Reserva Palmeirinha, em Chopinzinho (Sudoeste). Parentes da vítima viram um homem parar o carro na BR-373. Ele ofereceu doces e, assim que o menino entrou no carro, seguiu viagem. O corpo foi encontrado 15 dias depois. A outra vítima foi um índio Avá-Guarani, de Guaíra (Oeste) que foi morto a tiros em frente a um bar, em novembro.
Com condições precárias e outras adversidades, Santana expõe também um alto índice de suícidio entre os índios. O relatório identifica 26 casos de índios que tiraram a própria vida e mais oito que tentaram se matar. A maioria das vítimas é do sexo masculino e tem até 24 anos. Outro item que analisado que sofreu piora foram os danos ambientais em terras indígenas. Em 2010 o Cimi relatou 33 casos de invasões de propriedades indígenas e de exploração ilegal de recursos naturais, em 2011 foram 42 casos.

LONDRINA

Em Londrina, caingangues que ocupam uma área de fundo de vale da Avenida Dez de Dezembro, vivem um impasse com a Prefeitura. Os índios tentam derrubar na Justiça notificação da prefeitura para que eles deixem o terreno que fica em Área de Preservação Permanente. A Prefeitura ofereceu uma área próxima na zona sul, próxima à Chácara São Miguel, mas o lugar foi considerado precário pelos índios.
Os líderes da aldeia argumentam que a localização, próxima ao centro da cidade, facilita a venda de artesanato, uma das fontes de renda das famílias. Eles também defendem que o local já faz parte da história e que os índios não causam impacto ambiental no fundo de vale, pois têm consciência sobre a importância da preservação.

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