Doze índios da tribo pataxó chegaram ontem a Brasília para protestar contra a sentença da juíza Sandra De Santis Mello sobre o caso da morte de Galdino Jesus dos Santos. Entre os índios estão os pais e a viúva de Galdino. Para eles, os cinco rapazes que atearam fogo tiveram intenção de matar o índio, que pensavam ser um ‘‘mendigo’’.
O crime aconteceu na madrugada do dia 20 de abril deste ano, e o pataxó morreu em consequência das queimaduras. Os índios pataxó querem ser recebidos pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, e pelo ministro da Justiça, Íris Rezende. O porta-voz da Presidência, embaixador Sérgio Amaral, já declarou que FHC está disposto a recebê-los, mas que não pode interferir na decisão da juíza. O Ministério da Justiça marcou uma audiência para amanhã. Quem deve receber os índios é o próprio ministro.
Minervina de Souza, 58, mãe de Galdino, afirmou que a decisão da juíza não é justa com os índios. ‘‘Se fosse o meu filho que tivesse queimado um desses garotos, ou o filho dela (da juíza), quero ver se meu filho não ia ser preso.
Minervina disse que quer conversar pessoalmente, se for possível, com a juíza. ‘‘Eu não quero pedir nada demais. Só quero pedir para ela não soltá-los’’, afirmou a índia.
O pai de Galdino, Juvenal Rodrigues, 67, também disse que a juíza não foi justa. ‘‘Se fosse com ela, ela não acharia bom ser queimada. Ela tem que fazer justiça, não injustiça. Nós queremos que prendam esses bandidos para o resto da vida, para sentirem que matar não é bom’’, afirmou Rodrigues. A viúva de Galdino, Genilda Rosa Campos, 47, declarou que os rapazes tiveram claramente a intenção de matar seu marido. ‘‘Fogo queima, gente. Fogo mata. Que brincadeira é essa?, perguntou.
Ela disse que a juíza tem que mudar sua decisão, que os rapazes não podem ser soltos tão cedo. ‘‘Eles estando presos, estão vivos. Os pais deles ainda podem vê-los. O meu Galdino está morto, para nunca mais eu ver’’, disse a viúva. Os índios pretendem realizar hoje um ato de protesto na Praça do Compromisso, na quadra 703/4 sul, local onde Galdino foi queimado. A idéia é pressionar a juíza a rever sua decisão.

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