Índios guarani-caiovás estão ocupando residências e lojas no município de Antônio João, a 316 quilômetros de Campo Grande, MS. São várias ocupações simultâneas e rápidas para amedrontar os 8 mil habitantes e driblar a Polícia Militar. Os índios querem a posse da terra, que alegam ser sua. Eles pretendem criar uma nova nação indígena em 25 mil hectares, abrangendo, além de Antônio João, os municípios de Ponta Porã e Bela Vista, também parte de Pero Juan Caballero, no Paraguai.
Há duas semanas, 250 índios invadiram a Fazenda Fronteira, localizada no Km 12 da rodovia MS-12 , transformada em sede das investidas. Velhos caciques e feiticeiros convenceram os caiovás de que a região é parte do Morro Marankatu, berço da raça, tomado pelos brancos.
O movimento começou no dia 20 de dezembro passado, quando um grupo de 200 índios acampou nas perto da Fazenda Fronteira e hostilizava as pessoas que passavam no local. Há duas semanas eles entraram na propriedade rural.
Anteontem, a população bloqueou a a estrada MS-12 das 14 às 17 horas para chamar a atenção das autoridades. Para ontem à tarde estava marcada uma manifestação com a participação de representantes de 47 sindicatos de produtores e trabalhadores rurais, liderados pela igreja católica. O prefeito de Antonio João, Dácio Queiroz Silva (PMDB), afirma que as autoridades não estão dando a devida atenção ao problema.
Sem terra O proprietário da Fazenda Nossa Senhora Auxiliadora, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, está acusando um grupo de 320 famílias sem-terra que há sete meses ocupa a área, de matar e consumir 21 reses - incluindo um touro Nelore avaliado em pelo menos R$ 20 mil. A denúcia foi registrada na delegacia local. Situada em Iguatemi, a 481 quilômetros de Campo Grande a propriedade de 8.936 hectares foi ocupada por cerca de 1,6 mil pessoas, inclusive crianças, que alegam estar passando fome. Segundo os acampados, eles não recebem cestas básicas desde novembro passado.

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